Resenha – Garota Exemplar
por Patricia
em 03/11/14

Nota:

Garota Exemplar

Garota exemplar está na boca do povo há mais ou menos 2 anos. Lembro quando saiu e o quanto de pessoas que falaram dele na blogosfera literária, mas marota que sou, esperei anunciarem o filme com o Ben Affleck para ver se eu gostava do livro só para poder ir ver o filme e odiar o Ben Affleck. Eu poderia fazer isso sem ler o livro, claro, mas por que não unir o útil ao agradável?

Vamos ao enredo: Nick recebe uma ligação dizendo que algo parece errado. Ele corre para casa para encontrar a sala bagunçada e sua mulher – Amy – desaparecida.  Ele liga para a polícia e é aí que sua via crucis começa. A questão é que seu casamento não ia nada bem, de fato ele estava já contemplando o divórcio. Aquela manhã marcava o quinto aniversário de casamento deles e parecia que já era o limite do relacionamento. Só que Amy sumiu e ninguém sabe o que aconteceu.

Amy e Nick tinham uma tradição para seus aniversários de casamento – Amy criava uma caça ao tesouro que o levava ao presente. Nick tinha que adivinhar cada pista – que era baseada em seu relacionamento. Outra questão que parece não ter muito peso, mas que tem sim, é que os pais de Amy são psicólogos infantis e criaram uma coleção de livros chamada Amy Exemplar. Era baseada na história de sua filha. Claro que isso teve um impacto na psique da Amy real que nunca se via boa o suficiente para competir com a personagem idealizada por seus pais.

Tem ainda um outro agravante aqui: Amy era rica e Nick não.

Não sei vocês, mas eu adoro assistir Medical Detectives. É uma espécie de CSI só que com casos reais e um narrador de voz grossa, estilo Gil Gomes. E quando você começa a colocar na balança tudo o que vem à tona no começo do livro: Nick queria o divórcio, ambos estavam desempregados vivendo do que Nick ganhava no bar que comprou com o dinheiro da esposa, Amy podia ser uma pessoa difícil – fora o que o leitor vai descobrindo aos poucos – é difícil não pensar que Nick era o responsável pelo desaparecimento de Amy. O marido é sempre o principal suspeito. A polícia chegou à mesma conclusão.

Não quero entrar em muitos detalhes porque há descobertas que estão dispostas para o leitor ao longo dos capítulos que mudam bastante a visão das coisas. Quase como se a autora estivesse nos conduzindo por uma caça ao tesouro tão impiedosa quanto as que Amy criava para seu marido. E quanto mais detalhes você descobre, mais bizarra a situação toda fica. Não vou estragar isso para vocês.

O livro é dividido em 3 partes. A primeira parte trata de Nick narrando dia a dia o que acontece a partir de quando Amy desaparece e é intercalado com capítulos do diário de Amy dos últimos 7 anos. À medida que eu lia capítulo atrás de capítulo, eu pensava o tempo todo: “taí um casal que mal se conhecia. O que ele diz dela não parece real e vice-versa”. Fica claro logo no começo que esse é um casamento bem ruim para Nick. Mas não parece tão ruim para Amy. (Mais um agravante na lista)

Acho que esse é um dos livros com mais reviravoltas que já li. Quando você está confiante que entendeu o que está acontecendo vem uma daquelas situações que mudam tudo. Isso leva a uma leitura frenética, que deixa o leitor quase sem fôlego. Tive alguns momentos de “MEU DEUS!!!” e olha que estamos falando de menos de 500 páginas. É uma leitura não só que prende, mas cheia de comentários sobre a sociedade que dá o que pensar. Tem muitos níveis de interpretação para algumas partes do livro.

Gillian Flynn escreve excelentemente bem. Os personagens que ela construiu são muti-facetados, têm base, param em pé por si só e agregam demais a cada parte da história. Não é a toa que virou febre nos Estados Unidos e já está aí sendo lançado como filme. Aliás, eu estava em cima do muro sobre ver o filme e agora quero ver com certeza (ainda que seja com o Ben Affleck).

Recomendo a leitura. É realmente um ótimo livro para quem precisa passar o tempo, ler algo que realmente te mantém compenetrado e entretido. Em certo ponto, eu estava fazendo café para ir dormir mais tarde para poder ler mais. Poucos livros já me levaram a esse ponto. Dose de café máxima! Literalmente!

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