Resenha – Geração Subzero
por Patricia
em 12/08/14

Nota:

download

Eu não conheço muito da obra de Paulo Coelho. Na verdade, quase nada. Sei apenas do que ouço falar. A Gleice do Murmúrio Pessoais, tem um vídeo muito bom sobre um dos livros do autor: Adultério. No vídeo, ela comenta algo que me fez pensar: nunca li Paulo Coelho por que do pouco que li não gostei ou por que muita gente não gosta e desencanei? Infelizmente, no meu caso, acho que seria a segunda opção. De tanto ouvir gente falar mal do autor, eu desisti de conhecer outras obras suas. Isso me fez pensar se o inverso também acontece com alguns dos meus autores preferidos. Será que sou fã de um autor por que muita gente também é?

Acredito que ser influenciado nesse sentido é inevitável. Por exemplo, todas as resenhas/comentários sobre a série de Karl Ove Knausgard  que li até agora têm sido positivos. Li apenas UMA resenha que era um pouco menos entusiasmada. Consequentemente, fiquei com vontade de ler a obra. Não sei como isso afeta cada pessoa, mas eu definitivamente me empolgo mais por autores que são bem aceitos pela crítica. Considerando que nem sempre a crítica e meu gosto pessoal se entendem e que eu sei disso, preciso fazer o mea culpa e dizer que, às vezes, levo mais a crítica em consideração do que meu próprio interesse inicial.

Felipe Pena abre o livro Geração Subzero falando justamente dessa questão ‘crítica X leitores não especializados’. Ele reflete sobre como, muitas vezes, um autor adorado pelos leitores não é apreciado pela crítica e, por isso, considerado menos importante ou não tão bom; e como isso não deveria afetar a decisão de novos leitores na hora de optar por ler um autor. Por isso, ele juntou vinte autores ‘zebras’ e criou um livro que serve de amostra do que os ranzinzas aí fora podem estar perdendo. São autores que elevam o entretenimento a forma legítima de literatura. Que mal há em ler um livro para passar o tempo? Qual o problema de uma estória que não tem 25 níveis políticos?

“O que desejo é apenas abrir espaço para um outro tipo de literatura, cuja proposta de retorno ao compromisso narrativo inclua mais um conceito demonizado pela crítica: o entretenimento.”

Quanto aos seus autores escolhidos, ele explica que usou todas as plataformas comuns dos leitores ‘normais’ (simbolizando aqueles que não são doutores em literatura): blogs, redes sociais e etc. Com isso, juntou 20 autores que vendem, mas que a crítica esnoba. Eu li apenas um autor da lista – André Vianco. E gostei muito. Os livros da série Bento são incríveis e recomendo fortemente. (E olha que não sou das maiores fãs de vampiros).

Dos autores que ainda não conhecia, os que mais gostei foram: Pedro Drummond – que traz uma ótima estória sobre tristezas do passado; Eduardo Sphor – que trouxe um tom de fantasia muito interessante (e já passou pelo Poderoso antes); Luiz Eduardo Matta – que apresentou um conto macabro e que despertou a vontade de ler mais e só. Os demais autores ainda que sejam bons, não me deram essa vontade incrível de ler mais obras deles. No fim, por eu ter gostado de poucos contos, o livro tornou-se enfadonho ainda que a idéia da coletânea seja boa.

Nem todos os autores despertaram um interesse mais profundo, mas a melhor parte do livro é apresentar tanto autor nacional de gêneros diferentes. Citei acima fantasia, romance, terror, mas você encontra também ficção científica, comédia, até pitadas de YA dá para encontrar aqui. Tudo isso só provou algo que eu já imaginava, mas ainda não tinha visto por conta própria: tem muito, mas muito, autor nacional bom para qualquer gênero. O fato de que eles agora parecem mais ao nosso alcance é sorte nossa. Tudo o que precisamos é mente aberta e vontade de ler. Só indico que você procure obras completas dos autores, pois os contos representados aqui podem não surtir muito efeito.

Postado em: Resenhas
Tags: , , ,

Nenhum comentário em “Resenha – Geração Subzero”


 

Comentar