Resenha – Girl in a band
por Bruno Lisboa
em 07/04/15

Nota:

kim gordon

 

Lançado em fevereiro deste ano Girl in a band: a memoir é a aguardada autobiografia da multifacetada artista Kim Gordon, ex-integrante do Sonic Youth. Porém, quem espera um mero retrato fidedigno de seus tempos áureos ao lado de seus antigos companheiros de grupo será surpreendido. Positivamente.

Por mais que a obra seja escrita de modo cronológico, Gordon resgata no primeiro capítulo os últimos dias de sua ex-banda, relembrando de maneira amarga a época em que excursionava pela América do Sul e que culminaria num duplo divórcio: o do grupo, no derradeiro show no festival paulistano SWU em 2011, e o fim de seu casamento com o companheiro de banda Thurston Moore.

Ao longo do livro outros impropérios são lançados ao vento: pinceladas, pontuais, sobre Courtney Love (vocalista do Hole), Billy Corgan (líder do Smashing Pumpkins) e Lana Del Rey surgem de maneira tempestuosa e acabaram por  certo barulho na mídia. Sua família também é alfinetada, principalmente pela relação conturbada e controladora com o irmão esquizofrênico.

Por mais que ela assuma em dado momento ser “difícil escrever uma história de amor com coração partido” nem tudo são trevas na obra. Sua relação com o ideário feminista e a cidade de Nova Iorque; sua paixão pela arte; o lado maternal e suas elogiadas incursões pelo universo da moda iluminam grande parte do texto. Suas amizades artísticas, construídas ao longo de três décadas de bons serviços à música, também ganharam corpo, pois elogios infindáveis são destinados a Kathleen Hanna (ex-Bikini Kill e Le Tigre), ao finado Kurt Cobain, ao casal de diretores Sofia Coppola e Spike Jonze, ao mestre Neil Young e a Danny Elfman (ex- Oingo Boingo, atualmente compositor de trilhas sonoras).

Já a carreira do Sonic Youth e sua relação com a música ocupam cerca um terço do trabalho. A partir do detalhamento íntimo do processo de gravação e composição de discos clássicos como Goo, Daydream nation, Sister e EVOL Kim traz à tona influências dispares da cultura pop que acrescentaram e muito ao resultado final, instigando ao leitor a ouvir toda discografia da banda por mais algumas vezes. Canções como “Little trouble girl”, o hino “Kool Thing” e “Swimsuit issue” também receberam atenção especial em capítulos distintos.

Dotada de um olhar agridoce quanto a vida,  Kim promove em Girl in a band: a memoir  uma visão extremamente aberta e sem medidas emocionais, qualidades estas raras em tempos nos quais as biografias “chapas brancas”, que nada revelam ou pouco acrescentam ao que nos é conhecido, predominam.

Por hora, o livro não tem data de lançamento e tradução previstas para o Brasil, mas para os que estão com o inglês afiado o mesmo pode ser adquiro à preços módicos na Saraiva On Line.

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