Resenha – Grito de guerra da mãe tigre
por Patricia
em 17/10/16

Nota:

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Aqui temos mais um livro na categoria “peguei sem saber nada sobre a história”. A única coisa que eu sabia, na verdade, é que se tratava de uma biografia de uma chinesa e achei que tinha algo a ver sobre a relação dela com a mãe. Depois de ter lido As boas mulheres da China, livro encantador e cheio de histórias incríveis, achei que seria interessante ler algo novo sobre essa cultura.

Grito de guerra da mãe tigre, porém, não é exatamente uma biografia específica sobre o relacionamento de Amy e sua mãe e, sim, a relação de Amy com suas filhas sino-americanas. No centro de toda a história está o estilo de ser mãe da cultura ocidental versus a cultura oriental – reconhecidamente firme e focada em crianças que entregam alta performance. Amy Chua defende seu estilo de ser mãe inspirado em sua educação chinesa mão importa o que aconteça.

No livro, Chua nos apresenta a suas duas filhas – Sophia e Louisa (chamada de Lulu) – a quem ela impôs desde muito cedo um regime parecido com o que tinha em sua casa quando criança: as únicas notas aceitas são as máximas, as atividades são voltadas ao ganho de medalhas e reconhecimento, os filhos devem estar dois anos à frente dos colegas da turma em matemática e outros temas que os pais chineses colocam como prioridade para a criança. Tudo isso é apresentado em detrimento a atividades como educação física e esportes.

Chua faz suas filhas aprenderem a tocar piano (a mais velha) e violino (a mais nova) à exaustão – até que se tornem prodígios, ou quase isso – lembrando que o livro é narrado do ponto de vista da mãe – até mesmo em férias de família e férias da escola. Chua dedica o tempo em que não está trabalhando à educação das filhas quase de maneira obsessiva. Em vários momentos do livro, a autora faz comparações explícitas sobre os estilos de criação e lança comentários raivosos contra o “sistema ocidental” que permite que as crianças percam horas no Facebook e em videogames ao invés de se preparem para o mundo cruel que vão encontrar quanto crescerem.

As filhas da autora – que também é professora na Escola de Direito de Yale e autora de outros livros e estudos – realmente acabam alcançando um sucesso superior ao da maioria das pessoas antes dos 18 anos. Sophia, por exemplo, é convidada a tocar no Carnegie Hall – um dos locais para concertos e música clássica mais prestigiados dos Estados Unidos. A pergunta que aparece sempre é: a que custo? Lulu expressa essa questão todas as vezes em que questiona os métodos da mãe ao não querer ensaiar ou decidir que quer fazer outra coisa que não tocar o violino.

O tema ganhou uma proporção incrível nos Estados Unidos ao ser lançado e inspirar uma matéria de capa na Revista Time intitulada: Tiger Moms: Is tough parenting really the answer? (Mães tigres: ser firme é realmente a resposta?). O estilo chinês de educar os filhos parecia ter tocado em um ponto frágil dos norte-americanos: a competição. Mais ainda, a matéria explica, a obra reforçava o medo dos Estados Unidos de perder para a China nos quesitos mais básicos e fundamentais de uma nação.

O livro de Chua no Brasil, claro, não teria esse impacto. Não temos a tendência de levar a sério índices de competitividade, talvez por estarmos sempre tão abaixo do esperado, mas acredito que a maioria das pessoas veria na história apenas uma mãe tentando educar suas filhas. Mas esse é o ponto importante da educação das crianças do hoje: ela terá um efeito direto no futuro da nação – para o bem ou para o mal. E por mais que Chua tente dizer que o estilo chinês é melhor, seu marido, Jed que teve uma educação totalmente ocidental e liberal, é tão bem sucedido quanto ela.

Ao final da obra, ela mesma revê alguns pontos de suas crenças através do resgate do seu relacionamento com a filha mais nova. É um bom livro, de leitura rápida e o tema é interessante e trás certa profundidade para um debate importante além de ser escrito de maneira simples e direta – a autora não se esconde por trás do que é politicamente correto, assumindo suas decisões e a maneira como lida com as consequências.

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2 Comentários em “Resenha – Grito de guerra da mãe tigre”


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Anônimo em 11.04.2017 às 23:22 Responder

Para mim essa Amy chua é louca,li o livro e afirmo com todas as letras que essa chinesa é preconceituosa e desumana, ela nunca se importou com a felicidade das filhas só queria as usar para se exibir.

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Patricia em 12.04.2017 às 07:32 Responder

Eu li alguns artigos que falavam disso também…que esse “estilo de maternidade” tinha mais a ver com a satisfação da mãe do que das filhas…em alguns momentos acho que isso fica claro mas acho que ela também percebe que nem sempre essa será uma batalha ganha. As crianças hoje em dia são muito antenadas. 🙂


 

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