Resenha – Guerra do velho
por Patricia
em 06/07/20

Nota:

Nesses tempos estranhos, às vezes preciso me afastar da realidade porque o mundo anda louco demais (às vezes mais que a ficção). Quando escrevo essa resenha, o Brasil já passou de 1,5 milhão de casos confirmados do covid-19 e 60 mil mortos. As notícias não dão mais conta então a gente busca alento da ficção mais ficção possível.

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Peguei “Guerra do velho” para ler um bom tempo depois do hype. Originalmente, o livro saiu em 2005 nos Estados Unidos (levando o Hugo Awards de melhor ficção em 2006) e em 2016 aqui pela Editora Aleph que, aliás, fez um trabalho belíssimo na edição. Esse é o primeiro volume de uma série de seis livros (no Brasil foram publicados apenas os primeiros 3 volumes até agora).

A vida na Terra segue quase normal, mas lá fora, os humanos estão em embates violentos com outras espécies. Humanos que decidiram colonizar outros planetas estão sob constante ataque e, por isso, as Forças Coloniais de Defesa (FCD) recrutam pessoas constantemente e com muito segredo. Ninguém sabe o que acontece uma vez que você se torna um militar porque quando isso acontece, você é considerado morto na Terra e tem que deixar para trás tudo o que conhecia.

Porém, o que é mais relevante é que você só pode alistar aos 75 anos. Aos 60 anos você pode avisar as FCD do seu interesse, mas não pode se alistar antes de completar 75. É isso que acontece com nosso narrador, John Perry. Depois de perder a mulher, quase 10 anos antes, ele completa 75 anos e, no dia seguinte, se alista no exército.

Ao chegar na base militar, ele vai perceber que o segredo principal das FCD é que seu avanço tecnológico é inimaginável na Terra. Ele vai passar por todo o processo de treinamento, mutação e o que mais for necessário para a luta contra o resto da galáxia.

Daqui acompanhamos Perry em todo seu desenvolvimento de idoso terráqueo para militar extra-galáctico. O processo é bem contado e a ciência que o livro usa é acessível (apesar de que para o povo de humanas ou para mim, completamente insano). Mas o autor consegue dar sentido ao que é necessário.

Há um sub-enredo de romance que me pareceu desnecessário e ficou mal encaixado na história, mas como é secundário, não tira a atenção das partes mais interessantes. Algumas reviravoltas do livro foram previsíveis, mas tal como os sub-enredos, não atrapalharam na experiência de leitura.

O livro flui rápido, as cenas da guerra em si são boas e a criação das outras espécies são divertidas. A discussão sobre tecnologia e guerra são atuais e podem ser aplicadas em vários contextos:

Nós não precisávamos ter feito aquilo, sabe. Acertar aqueles filhos da puta do espaço e fazer com que passem as próximas décadas morrendo de fome, perecendo, matando uns aos outros. Não assassinamos civis hoje….Mas eles vão passar um bom tempo morrendo de doenças e assassinando seus iguais porque não terão como evitar. Não deixa de ser genocídio. Só ficamos bem com isso porque vamos estar longe quando acontecer. (pág. 211)

Guerra é guerra e suas atrocidades são iguais em qualquer canto da galáxia. A sequência é “As brigadas fantasma” que saiu também pela Aleph.

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