Resenha – História do cerco de Lisboa
por Juliana Costa Cunha
em 28/09/21

Nota:

Em História do Cerco de Lisboa, Raimundo é um revisor já bastante conceituado e sempre requisitado por uma determinada editora. Em dado momento de sua vida, revisando um texto sobre a história que dá título ao livro e que de fato aconteceu, decide interferir na escrita original e com isso mudar a história narrada. Uma simples palavra que muda toda a história do cerco de Lisboa como nós a conhecemos hoje.

Em 1147 os portugueses tentaram tomar Lisboa que, à época, estava sob o comando dos mulçumanos. Porém só os portugueses não iriam conseguir expulsar os muçulmanos e tomar Lisboa pra si. Dessa forma, decidem que precisam da colaboração dos cruzados para que a tomada possa ser efetiva. E é nesse momento que a palavra é inserida pela personagem Raimundo no livro que estava revisando, fazendo com que a história real ganhe, na ficção Saramagueana, outra conotação e tome outros rumos. O autor brinca com o poder de mudar o curso da história e criar uma ficção sobre os fatos reais.

Ao longo desta obra Saramago vai discutir o papel do revisor de textos que, apesar de ter total confiança da editora é colocado em um lugar inferior. Bem como o fato da profissão exigir a leitura de muitos livros considerados desnecessários e sem qualidade pela personagem. Vai dialogar sobre a existência, a vida sem emoções do revisor Raimundo, o quanto isso pode também interferir na sua profissão e no cuidado com os fatos narrados.

Outra discussão abordada por Saramago é a escrita da história. Os fatos históricos existem por que alguém à sua época registrou os acontecimentos. Mas como saber se, de fato, aquela história se deu tal qual foi registrada? Quem, de fato, tem o poder de escrever a história? Com isso nossa personagem, incentivado por sua nova chefe, passa a escrever a sua versão sobre a História do Cerco de Lisboa. Vai contar a história como ele acha que ela teria acontecido. Saramago é genial como sempre. Essa metanarrativa criada por ele é incrível. Cria uma ficção por cima da ficção para questionar um fato histórico dado como certo da forma como vem sendo contado ao longo dos séculos.

Mesmo com tudo isso que falei acima, eis que li um livro de Saramago que não me emocionou. Estão aqui todos os elementos da escrita do autor e seus temas mais caros. Estão aqui, também, as ironias mais finas, aquelas que me fazem dar boas risadas durante a leitura. Mas, não consegui me envolver com a história narrada. Talvez por desconhecer o que de fato aconteceu com o cerco a Lisboa. Ou, também pelo fato de ser uma narrativa mais densa e sem grandes acontecimentos. Estas são considerações que faço a partir de minha experiência de leitura, o que em nada tem a ver com a qualidade desta obra escrita por Saramago e, bastante aclamada, ressalte-se.

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