Resenha – Iron Maiden – Run to the hills: a biografia autorizada
por Bruno Lisboa
em 18/04/16

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Prestigio ou sucesso? Há quem o diga que artisticamente é quase impossível conquistar ambos. De fato, se analisarmos no universo da música teremos vários exemplos de bandas que conquistaram ou um ou outro, mas que (por razões inúmeras) não alcançaram o reconhecimento da crítica e/ou o público. Porém, existem nesta seara raríssimas exceções e o Iron Maiden é uma delas. E para conhecer a trajetória dos britânicos  Run to the Hills, livro de Mick Wall (famoso biografo musical que escreveu também a biografia do Metallica, já resenha aqui), é a companhia ideal.

Escrito de maneira autorizada pela banda, para a obra o autor obteve livre acesso a todo material da banda, que é retratada na intimidade. Partindo desde os dolorosos anos inicias (onde a banda pagou caro pelo pioneirismo da cena heavy metal britânica), Run to the Hills percorre também, de maneira abrangente, o período mainstream nos anos 80,  retrata a decaída criativa nos anos 90 e a solidificação da carreira nos dias atuais. 

De maneira justa e equilibrada, a abrangente narrativa dá voz não só a cada integrante da formação atual, mas também concede oportunidade para que ex-membros e a pessoas que atuam/atuaram nos bastidores (o produtor de longa data Martin Birtch, o empresário Rod Smallwood e Derek Riggs, o desenhista criador de Eddie, icônico mascote da banda…) contam a sua parte da história e revelam como ajudaram a banda a pavimentar a sua história.

O metódico processo criativo da banda é exposto em minúcias ao longo das 390 páginas da obra. Nesse momento, a voz predominante é a de Steve Harris (baixista, fundador do grupo e principal compositor). Famoso pela antipatia, assumida pelo músico, o ar ditatorial do líder acabou por resultar em algumas “inimizades” (Paul Di’Anno, Clive Burr, Dennis Stratton, Blaze Bayley ex-integrantes que foram expulsos da banda) e desavenças (o vocalista Bruce Dickinson e o guitarrista Adrian Smith chegaram a abandonar o barco nos anos 90 para dedicarem-se a projetos pessoais para retornar tempos depois), mas tamanha carrancice revelou-se ser eficaz.

Um breve olhar na discografia da banda composta por uma longa lista de consistentes álbuns como Number of the beast, Piece of mind, Seventh son of a seventh son, Brave New World,  entre tantos outros, confirmam que tamanha disciplina não fora em vão, pois os discos tornaram-se clássicos indiscutíveis e serviram de influência para músicos dos mais variados gêneros como também conquistou (e ainda conquista) gerações que até hoje veneram a banda por onde passa, tal como um clube de futebol.

O público brasileiro inclusive ganha menção especial devido a histórica passagem no Rock in Rio de 2001. Na ocasião 250 mil pessoas, maior público da banda até então, e mais de um milhão em transmissão ao vivo pela TV,  presenciaram aquela que seria a sua maior apresentação, em todos os sentidos. A mesma inclusive registro em CD e DVD.

A recente turnê na Brasil (com casa cheia em grande parte das apresentações) e o fato de The Book of souls, o mais recente (e ótimo) trabalho da banda, ter alcançado o primeiro lugar em vendagens mundo afora só comprovam que a devoção aos britânicos do Iron Maiden segue de vento em popa merecidamente

Por mais que fãs ardorosos da banda não considerem a obra como “definitiva” (Mick Wall intencionalmente não aborda em detalhes a vida pessoal dos envolvidos e deixa em aberto algumas histórias conflituosas), mas para iniciados Run to hills serve como um ótimo ritual de iniciação.

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