Resenha – Jogos Vorazes – vol. 3 – A Esperança
por Patricia
em 15/05/12

Nota:

[Contém spoilers]

O 3o – e último – volume da Trilogia de Jogos Vorazes começa de onde o segundo acabou (resenha aqui). Quase que literalmente.

Katniss explodiu a Arena do Massacre Quaternário e acorda em uma unidade de tratamento do Distrito 13 que – surpresa! – existe mas que passou 75 anos como “morto” enquanto desenvolvia sua própria estrutura de Governo, seu sistema de defesa e, o mais importante, a sua vingança contra a Capital. Ao vencer o 74.o Jogos Vorazes com Peeta, Katniss se colocou no centro da atenção da Capital e também do Distrito 13.

O Distrito propõe que Katniss seja o símbolo da revolução. Através de recursos midiáticos – o que diz muito sobre os tempos atuais de revoluções agendadas pelo Facebook – Katniss aparecerá para todos os habitantes de Panem em discursos rápidos sobre a importância de se derrubar o Governo tirânico de Panem e cenas de ação em pleno exercício militar.

Ela será treinada, montada, maquiada e lerá textos para os habitantes (hey, qual a diferença disso para o que a Capital fez?). Porque ela não pode ser uma rebelde qualquer. Ela tem que ser a rebelde que Panem precisa e a rebelde que o Distrito 13 quer que o represente (emprestei de Batman). O bordão “Se nós queimarmos, você queima”, mostra uma Katniss pronta para a revolução. É orgânico e direto. É o melhor momento dela em todos os 3 livros.

A vida no Distrito 13 é pior do que aquela que Katniss já conhecia. Isso porque, como a História do mundo nos mostra, nem toda revolução soluciona os problemas que ela aponta e, muitas vezes, ainda cria outros que têm consequências piores para a população. Enquanto o Distrito 13 se organiza para colocar em prática seu plano de vingança, Peeta que foi sequestrado pela Capital, aparece em diversas entrevistas pedindo o cessar-fogo para ambas as partes. Ele atua quase como a ONU: fala muito, faz pouco e quando tenta opinar fica em cima do muro e ainda paga caro. Isso porque Peeta tenta avisar o Distrito 13 dos planos da Capital de bombardeá-los. E a última cena que se vê é Peeta e sangue. Corta!

Quando Peeta chega ao Distrito 13 (porque seu resgate foi bem simples, na verdade) – e eu avisei que a resenha tinha spoilers –  as coisas mudam dramaticamente. Não apenas porque o triângulo romântico fica mais tenso, mas porque Peeta agora odeia Katniss. Parece que tudo está perdido para os fãs.

O que é bom porque nos permite focar na luta contra a Capital mais do que na indecisão de Katniss entre Gale e Peeta. Aliás, nos permite ler menos besteiras da cabeça de Katniss. A partir daqui, a história se arrasta um pouco. A autora claramente só tem noções militares e de guerra do que ela leu ou viu em filmes e as cenas de treinamento são bem fantasiosas. Mas elas valem ao proposto: mostrar o quanto o ódio do Distrito 13 e da população em geral pela Capital se converteu em investimentos pesados para derrubar o regime. Os rebeldes têm muitos recurso à sua disposição. O que é mais do que se pode dizer de quase todas as rebeliões do mundo. Afinal…os rebeldes são sempre os oprimidos e os oprimidos não têm nada. (Por isso são oprimidos! – e eu nem estudei  filosofia, hein?!)

O que demonstra que o Distrito 13 – mais especificamente a Presidente Coin – tem planos muito maiores do que apenas derrubar a Capital. Nesse ponto é fácil de entender que ela quer o que todos querem – o poder. E ela está pronta para derrubar quem quer que seja para conseguí-lo. O que quer dizer que se tudo sair de acordo com seus planos, um regime ditatorial cai para outro começar.  Que é, basicamente, a história do mundo.

A história da revolução em si se arrasta mais um pouco e a guerra toma as ruas e chega até a Capital.

E, em parte, é por isso que na hora de matar o decadente ex-Presidente, ela toma outra decisão. Assim que perdeu seus motivos para lutar, Katniss conseguiu enxergar a verdade sobre o poder. Que ele corrompe não apenas os que o têm mas também aqueles que estão próximo a ele e o almejam.

O final do livro é previsível e a vida segue.

Toda a crítica da trilogia pode ser resumida em um parágrafo: “Francamente, nossos ancestrais não merecem esses respaldo todo. Enfim, olha o estado em que nos deixaram, com as guerras e o planeta destroçado. Visivelmente não davam a mínima para o que poderia vir a acontecer com as pessoas que viveriam depois deles. Mas essa idéia de república soa como um aprimoramento, tendo em vista o nosso governo atual.”

Boa leitura para quem procura mais conteúdo nos livros para jovens. Uma leitura média para quem quer ler apenas romances.

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