Resenha – Lições de vida das grandes heroínas da Literatura
por Patricia
em 25/01/13

Nota:

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Aos 14 anos, entrei na biblioteca da escola e retirei A Insustentável leveza do ser. Claro, um livro denso para a idade mas eu estava certa de que ler esse livro era questão de vida ou morte (sabem como é…aos 14 anos é tudo muito sério). No livro, Milan Kundera cita Ana Karênina como uma das obras reverenciadas por Tereza. Pois bem, o próximo livro retirado foi Ana Karênina e foi aqui que meus hábitos literários começaram a tomar um rumo mais pessoal.

Para quem começou a gostar de livros varando a noite lendo Agatha Christie e ficando revoltada por não conseguir descobrir o assassino na noite antes da prova, ler os livros citados acima era uma empreitada séria e não poderia ser feita de maneira jogada, o famoso “ler por ler”. Não são livros fáceis – como nenhum livro que pode te ensinar alguma coisa é.

Desde então, ler se tornou mais que uma vontade – uma necessidade. Sinto a mochila leve demais quando não carrego nenhum livro e você pode encontrar um na minha bolsa mesmo quando saio para almoçar com a família. É reconfortante ter livros por perto.

Erin Blakemore e eu temos isso em comum. Na introdução de “Lições de vida das grandes heroínas da Literatura”, Erin nos explica os principais motivos que a levaram a idolatrar a literatura feminina e as personagens que mudaram a cara de suas épocas. Cada tema central do livro – Identidade, felicidade e compaixão, por exemplo – tem uma personagem feminina atrelada – Lizzie Bennet, Anne Shirley e Scout Finch respectivamente.

Cada tópico tão importante na formação da personalidade feminina tem uma personagem que revolucionou seu tempo (quer fosse possível identificar isso na época ou não). Cada capítulo mistura as histórias das escritoras com suas personagens provando que há sempre algo do criador na cria. Mulheres que não tinham maneiras de expressar seus problemas, criavam personagens que faziam isso por elas e, de quebra, ainda alteravam o status quo.

O livro tem alguns errinhos de revisão e senti falta de algumas notas de rodapé para explicar coisas que o livro comenta mas nada disso atrapalhou de verdade a leitura. Aliás, uma das coisas que mais gostei foi que ao final de cada capítulo, tem uma lista de indicações de livros similares para ler (que já joguei numa planilha para um futuro projeto de leitura). Claramente, a edição do livro foi bem cuidada e o “visual” é realmente bonito.

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Apesar de soar como um livro de auto ajuda – e o tom de auto ajuda está ali -, Lições de vida das grandes heroínas da Literatura é um livro que garante alguns pensamentos intensos e prova que a condição feminina já há algum tempo vem dando um salto para melhor. Daqui, você pode retirar uma lista realmente interessante de outras obras para ler para despertar em você a vontade de pensar como elas – e foi por causa dessas indicações que o livro ganhou uma dose de café a mais.

No fim, Erin Blakemore leu bastante e descobriu seu lado mulher junto com personagens femininas que ressoaram com sua condição. Não diria que é um livro obrigatório mas, com certeza, algo se tira da leitura. Confesso que minhas expectativas estavam altas e nem sempre foram atingidas, mas recomendo a leitura para quem quer conhecer mais sobre as personagens citadas já que cada capítulo é uma biografia-mini resenha da autora e do livro.

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