Resenha – Mate-me Por Favor
por Gabriel
em 08/11/14

Nota:

Mate-me por favor

Depois de muito tempo devendo esta leitura a mim mesmo, tirei um título da minha lista de “Livros que preciso ler”. Mate-me Por Favor conta a história do punk rock e, para quem é um fã do gênero como eu, é leitura obrigatória.

A obra foi escrita por Gillian McCain, uma escritora e poetisa, e Legs McNeil, um dos fundadores da revista Punk, primeiro lugar em que o termo foi usado. McCain e McNeil basicamente agruparam trechos de diversas entrevistas com pessoas que viveram à época, tendo a ordem cronológica como linha guia da organização do livro. Cada parte se refere a um período da história do punk, chegando até o começo dos anos 90 e mostrando o surgimento de uma influência musical que existe fortemente até hoje.

A história do que ficou conhecido como punk rock começa com o Velvet Underground, em meados dos anos 60. A banda capitaneada por Lou Reed e “patrocinada” por Andy Warhol protagonizava episódios de crises psicológicas, libertarianismo sexual e consumo desenfreado de drogas enquanto se dedicava a sua música. Esta combinação explosiva seria o tom do movimento até o que foi considerado o seu “fim”. Diversas pessoas começam a circular em torno da banda, outros grupos se formam a partir daí e o movimento começa a tomar corpo.

Mate-me Por Favor tem o grande trunfo de ser uma história relatada por quem a viveu. Além do Velvet Underground, vemos entrevistas com alguns dos Ramones, membros do New York Dolls (banda pioneira no punk), dos Dead Boys, do Television, dos Stooges, dos Sex Pistols e de todas as bandas que protagonizaram esta fase da música. Uma figura em específico pontua quase todo o livro com seus episódios extremos e sua influência de ícone: Iggy Pop. São vários relatos de shows destruídos, performances incríveis mescladas com drogas demais e outros clássicos da autodestruição. Iggy cria um estilo que é seguido por muitos outros no livro.

Diversos lugares têm importância clara na história do punk: o famoso CBGB, o Max’s, a Funhouse dos Stooges, entre outros. Para quem vive nos Estados Unidos, os momentos em que endereços são citados devem ser ainda mais interessantes.

Como grande fã do Clash, senti falta de um pouco mais da história da banda. Mas todo o resto do panteão do punk rock está lá, sendo entrevistado ou tendo sua história contada pelas outras pessoas que a viveram. É um relato que ao mesmo tempo contém música, criatividade, inovação e destruição, brigas, problemas psicológicos e fins trágicos. Uma história fascinante por ser um episódio real da história e pela viva impressão de que tudo aquilo seria ainda tão chocante, ultrajante e incrível se acontecesse hoje, décadas depois.

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