Resenha – Memórias De Uma Gueixa
por Ragner
em 09/11/12

Nota:

Japão é um país extremamente interessante ao meu ver. Sou um amante inveterado à quase tudo relacionado a terra do sol nascente. Hábitos, costumes, história e cultura me fascina. Tudo que gira em torno da ética e moral oriental me encanta, especialmente o que está relacionado aos japoneses. Por isso a intenção inicial de ler tal livro, que foi emprestado pela minha Mariko Mari Paccely.

Vamos aprendendo tudo sobre a vida de uma Gueixa. O livro serve muito bem ao propósito de representar “memórias” e respeita bem seu título. Relata os pormenores da vida da protagonista (mesmo a disputa pela sua virgindade e para se tornar o amante principal) e daqueles que estão ligados à ela. Serve também como um relato biográfico onde a personagem conta seu cotidiano, durante anos, desde quando foi retirada de casa, ainda criança, quando era uma criada, na adolescência, até chegar ao patamar de ser considerada uma das Gueixas mais conhecidas no Japão.

Fico até me perguntando se a história é factual ou não, pois tudo é muito verdadeiro e palpável, como se fosse vida real mesmo. Existe uma certa veracidade nos fatos que se seguem, pois todo o contexto histórico ocorreu e mesmo não sendo uma história verídica (mas a protagonista é inspirada em uma Gueixa que existiu mesmo), instiga nossa compreensão do que pode ter acontecido ou não. Palmas pela pesquisa histórica do autor e também pelo enredo soberbo que nos apresenta o Éthos japonês que é mesmo diferenciado, chegando a parecer mítico.

Temos aqui uma história contada, inicialmente, por uma criança (Chiyo), que vê sua vida mudar repentina e totalmente, a partir do momento em que é levada, junto de sua irmã, de sua casa, retirada de sua pacata rotina em um vilarejo, para longe de sua mãe doente já falecendo e de seu pai idoso. A pequena Chiyo chega a Gion, distrito de Kioto, e passa a viver como criada em um okyia (uma casa de gueixas), onde, com o tempo, viria a estudar para se transformar em uma Gueixa. O okyia já possuía uma Gueixa, Hatsumomo, mas essa a vê como uma pedra no seu caminho, mesmo ainda criança, passando a perturbá-la diariamente.

Chiyo é uma menina de olhos peculiares (azuis acinzentados, o que chama muita atenção) e certa rebeldia. A vida se mostra cheia de obstáculos e inimizades, ela não aceita ser uma criada e nem que Hatsumomo a trate da maneira que trata, ela se revolta com sua situação e tenta fugir, mas o contato com um homem bondoso e que presta atenção nela a faz começar a perceber melhor o seu destino e a querer mudar sua sorte. Com o tempo passa a ter contato com Mameha, talvez a Gueixa mais importante da região e desgosto direto de Hatsumomo. Mameha passa a ajudar Chiyo e a treiná-la. O passado então começa a ficar distante e essa nova vida também a faz mudar de nome. Ela passa a se chamar Sayuri e de criada agora é uma aprendiz, não precisando mais trabalhar como antes. Vivendo uma nova realidade, as intrigas de Hatsumomo agora vão perdendo força e a cada ano sua importância na região aumenta, os homens mais influentes a querem como companhia e tudo à sua volta começa a mudar, até o início da 2ª Grande Guerra Mundial.

Os fatos comentados e citados no livro são muito interessantes, pois deixam claro algumas ideias pragmáticas do Éthos japonês, que nos faz refletir o quanto a vida é fugaz (mesmo do outro lado do planeta, há décadas atrás). A leitura da história exercita a ideia de que “há males que vem para o bem” e nos apresenta um conceito mais profundo de como as Gueixas eram realmente. Elas não eram amantes de homens poderosos e muito menos prostitutas, mas mulheres que dedicavam suas vidas a servir o imaginário do homem sim, mas isso, muitas vezes, não tinha a ver com servidão sexual.

Algo que é trabalhado magníficamente bem, também, é o entendimento de que as mulheres são naturalmente românticas, independente de suas vidas e de suas condições. Chiyo, que passa a ser Sayuri, vê um propósito para sua vida ao ter contato com o homem que para sempre se manteve em seus sonhos. Mesmo que sua vida e posição a levasse para um caminho diferente do dele, ela nunca se esqueceu de como ele a afetou.

Recomendadíssimo para quem se interessa, não somente pela cultura oriental, mas também para quem gosta de refletir sobre a efemeridade da vida e como tudo que acontece ao nosso redor é grande ou pequeno, dependendo que como aquilo nos atinge, dependendo de como nos deixamos ser atingidos.

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7 Comentários em “Resenha – Memórias De Uma Gueixa”


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Cláudia Oliveira em 14.08.2014 às 08:05 Responder

Bela resenha!

Ragner
Ragner em 14.08.2014 às 17:31 Responder

Muito obrigado!

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Simone em 25.02.2015 às 11:03 Responder

Adorei sua resenha,já li o livro 3 vezes e o filme assisti duas vezes, amo de paixão tudo relacionado ao japão esse é um dos meus filmes/livros preferidos!Você escreve muito bem parabéns!

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Analice em 05.07.2015 às 17:49 Responder

Eu li o livro,vi o filme e adorei sua resenha!fiquei apaixonada pela forma como o autor desenvolveu toda história e também achei muito real para ser fictícia *__*

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Priscila em 14.09.2015 às 10:36 Responder

Eu já tinha visto o filme inúmeras vezes e sempre gostei (tanto que é um dos meus filmes preferidos senão “O” preferido),mas sempre fiquei curiosa em relação ao livro onde sempre tem mais detalhes e coisas que não aparecem no filme. Depois de muito tempo consegui achar o livro para a minha enorme felicidade , e o que tenho á dizer sobre esse livro é que ele é MAGNÍFICO , eu simplesmente amei ,até chorei no final ,superou todas as minhas expectativas , o livro virou meu xodó e não empresto pra ninguém , o autor realmente merece os parabéns pela sua grande pesquisa e fazer com que o livro prenda tanto a atenção do leitor. Obrigado pela sua resenha que também foi muito boa. Recomendo MUITO esse livro!

Ragner
Ragner em 14.09.2015 às 11:52 Responder

Muito obrigado pelo comentário Priscila. Excelente termos leitores interessados em sempre saber mais sobre seus livros favoritos.
Abraços.

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deborah em 15.03.2016 às 22:35 Responder

Adorei seu blog =)


 

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