Resenha – Mentirosos
por Patricia
em 19/01/15

Nota:

MENTIROSOS

Vou te dizer o que chamou minha atenção em Mentirosos: a) escrito por uma mulher, portanto o livro entra no projeto #LeiaMulheres e b) o livro entrou na lista de melhores livros de 2014 da Amazon (n. 19), da NPR, e foi traduzido tão rápido para o português (nos Estados Unidos, foi lançado no primeiro semestre de 2014) que me perguntei o que esse livro teria de tão interessante que a Editora Seguinte tivesse corrido para lançá-lo aqui.

Esses pontos chamaram minha atenção, mas sabia muito pouco sobre a história em si. Compro muitos livros dessa forma, como os seguidores do blog já devem ter percebido.

A história toda gira em torno de Cadence Sinclair – Cady. Herdeira de uma família rica, ela costuma passar o verão em Beachwood – a ilha dos Sinclair – junto com dois primos – Johnny e Mirren – e um amigo da família de origem indiana – Gat. Desde jovens, eles seguem essa tradição apesar dos problemas familiares estarem cada vez mais fortes. Com a morte da matriarca e a debilidade do patriarca turrão, a família parece se aproximar de um precipício. A mãe e as irmãs discutem quase sempre sobre quem vai ficar com qual casa, qual jóia, qual quadro. E olha que o pai ainda está vivo. Todos vivem do dinheiro da família e da aparência de perfeição.

Enquanto os adultos discutem seu futuro financeiro, Cady e Gat se aproximam e engatam o que poderia ser um relacionamento. Por sua origem indiana e tom de pelo escuro, ele se destaca entre os esbeltos brancos e loiros Sinclairs. Gat imagina que o avô de Cady não aprova o namoro. Quando a conhecemos no início do livro, Cady bem debilitada e com um trauma intenso depois de um acidente misterioso.

Como todo o livro é narrado por seu ponto de vista, quando ela perde parte da memória anterior ao acidente, o leitor também fica no escuro. Não sabemos nem mesmo que tipo de acidente foi. Apenas que Cady foi encontrada no mar, boiando e desmaiada. Os médicos sugerem que ao nadar à noite, ela tenha batido a cabeça em uma pedra e isso tenha causado um trauma significativo para ela perder parte da memória recente e ter enxaquecas fortíssimas. Cady torna-se dependente de remédios e começa a investigar o acidente para tentar preencher partes de sua vida que parecem ter simplesmente desaparecido e o leitor embarca junto com ela nessa busca. Quando retorna à Beachwood depois de 2 anos, o quebra-cabeça está pronto para ser montado.

Além de uma narração no tempo certo, “Mentirosos” tem ótimas reviravoltas que mantém o leitor preso ao livro. Eu imaginei diversas coisas horríveis que podiam ter acontecido com Cady. Mas nada, nada, nada, como o que de fato aconteceu. O final é totalmente surpreendente e bem narrado: vamos descobrindo as coisas aos poucos, sem trauma. E, de repente, todo o choque vem de uma vez só.

Esse é um YA diferente dos que já li até aqui. Tem um foco bem específico em uma jovem que não sente muita conexão com sua própria família e que sente até certa vergonha das conversas de ‘quem merece qual parte da herança’. Cady é uma personagem bem real. A maneira como Lockhart a escreve, seus traumas, o momento doloroso no qual ela vive e até mesmo suas dores físicas são pontos importantes para o leitor sentir uma relação com a personagem principal. Mais do que isso, apesar de ser uma aristocrata, Cady narra o livro como qualquer menina de 15 anos – a linguagem é acessível, honesta e não polida como seria se ela estivesse, digamos, contando a história para seu avô, por exemplo.

Prepare um litro de café e se jogue no drama.

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