Resenha – Micrômegas
por Ragner
em 02/11/12

Nota:

Eis um livro de filosofia que é curto, leve e mesmo assim bem direto (O li durante o trajeto entre minha casa e meu serviço, dentro do ônibus). A filosofia ganha uma roupagem suave e sem rodeios, que facilita uma reflexão intimamente associada à nossa pequenez perante a imensidão do universo.

Voltaire cria uma história que transcende conceitos físicos para apresentar um discurso que debate nossa situação no planeta Terra, de como somos ignorantes, insensíveis, autoritários, contraditórios, mesquinhos e que ainda cremos em uma superioridade em relação a tudo e todos.

Somos apresentados à Micrômegas, um gigante (claro que para nossos parâmetros) que empreende uma viagem de seu planeta – próximo à estrela Sírius – até Saturno. Conhece os habitantes desse planeta e depois, em companhia do Secretário-geral, de Saturno, viaja pelo sistema solar até chegar à Terra. Ambos são extremamente gigantescos e não enxergam os habitantes do planeta, até que, com a ajuda de um diamante, conseguem nos observar, interpretar que temos consciência e que podemos nos comunicar.

Depois de pequenos ajustes óticos, auditivos e de posicionamento, inicia-se uma conversa entre os dois gigantes e alguns filósofos que estavam viajando em um navio, navio esse que está na unha de Micrômegas.

Alguns momentos da conversa entre Micrômegas, o gigante de Saturno e os terráqueos explicitam muito bem todo o contexto de análise de como pensamos nossos problemas e nossas vidas:

“Os especialistas em álgebra, gente sempre muito útil para o público…”
“Mas ele estava enganado pelas aparências, coisa que acontece até demais, quer a gente use microscópio ou não.”
“Para poder falar é preciso pensar, ou quase…”
“Aliás, não é a eles que se deve punir, mas sim aos bárbaros sedentários que ordenam, do fundo de seus gabinetes, enquanto fazem a digestão, o massacre de um milhão de homens, e depois ainda agradecem a Deus por isso.”
“- Então não vale a pena que sua alma seja tão sabida dentro da barriga da mãe para tornar-se tão ignorante quando você tiver barba na cara… Mas o que é que você entende por espírito?”

O livro é bem pequeno e quando você começa a analisar tudo o que está contido nele, ele acaba, mas deixa aquela sensação de que o leitor pode concluir a história com o que seus próprios questionamentos permitirem. O conto não me parece ter a pretensão de acabar em si e não apresento apenas como uma simples indicação para leitura, acrescento também uma indicação para contribuição em uma argumentação filosófica.

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