Resenha – Moneyball: o homem que mudou o jogo
por Bruno Lisboa
em 11/08/15

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No hall das predileções esportivas norte-americanas o beisebol fica em segundo lugar, perdendo para o futebol americano. Entretanto, na última década o mesmo tem sofrido drásticas mudanças estruturais, pois devido a entrada de grandes empresas no segmento esportivo tem feito com que o esporte perdesse sua própria essência, tornando-se cada vez mais corporativista.

Nesse entremeio, clubes de baixo orçamento naturalmente ficaram regrados as últimas colocações e fora dos play-offs. Esta parecia uma situação imutável até o momento em que Billy Beane, ex-jogador e gerente geral do Oakland Athletics, e Paul Depodesta, economista que nunca havia praticado o esporte, decidiram mudar as regras deste jogo injusto como é retratado em Moneyball.

Lançado em 2003 no Estados Unidos (e agora em 2015 por aqui via Intrínseca), o  livro de Michael Lewis é dotado de uma escrita didática que faz com que até mesmo leigos sejam capazes de entender o universo técnico do esporte. Ao longo de suas 324 páginas o autor desvenda em detalhes o sistema combativo adotado por Beane e Depodesta que execrava a velha doutrina do esporte que primava por escolhas arcaicas, instintivas e desastrosas de olheiros.

Inspirado pela ótica de Bill James, lendário analista underground e estatístico do esporte com vários livros publicados sobre o mesmo desde a década de 70, a dupla primava pela analise em minúcias de números significativos apresentados  por jogadores com grande potencial, mas que eram renegados devido a idade avançada, porte físico desavantajado e/ou modo desajeitado de jogar e por isso não despertavam a atenção dos grandes clubes. Nesta feita, o time conseguia contratá-los a baixos salários e retrabalhava os mesmos de acordo com os seus pontos fortes em posições específicas.

Sua incomum e metódica estratégia primava, entre tantas abordagens, pela prática do antijogo (nem toda bola deveria ser rebatida),  a opção  por mudanças estruturais do elenco no meio da temporada com demissões repentinas e contratações idem são algumas delas. Apesar do até então excêntrico ou largamente criticado modo de trabalho, o  clube logrou sucesso conquistando naquele ano 20 vitórias consecutivas na liga americana (marca até hoje não superada) e a entrada nas finais, mesmo com baixíssimo recurso financeiro (orçado em 41 milhões, o menor do ano vigente) .

Entrecortando a descrição do novo olhar para com o beisebol, o autor dedica capítulos a jogadores “perdedores” como David Justice (rebatedor) Jeremy Brown (receptor), Scott Hatteberg (primeira-base) e Chad Bradford (arremessador) cujas deficiências foram transformadas pelo incentivo e adoção do sistema que fizeram com que conquistassem sucesso na carreira.

Mesmo com a súbita derrota naquela temporada (o Oakland seria eliminado nas finais pelo Minnesota Twins ) a ótica de seleção do elenco a partir da estatística seguida pelo clube abalou a ideologia dos grandes clubes que viam seus jogares com salários estratosféricos renderem menos ou por vezes na mesma medida daqueles que ganhavam bem menos.

A história retratada em Moneyball é como todas as grandes histórias clássicas onde solitários visionários dão a cara a tapa, são criticados a exaustão até que o momento crucial em que provam por A + B que todos estava errados ao não entender a proposta. Tanta repercussão rendeu em 2011 a versão fílmica da obra, com direção de Bennet Miller e Brad Pitt no papel de Beane.

O legado desta empreitada segue em voga, pois o método de seleção dos grandes clubes de beisebol americanos e outras esferas esportivas basicamente seguem o mesmo sistema que Billy Beane e Paul Depodesta potencializaram. Ambos, que hoje não trabalham mais juntos, são autênticas lendas vivas do esporte que acabaram por revolucionar.

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O livro foi enviado pela editora. 

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