Resenha – Montenegro
por Patricia
em 17/05/13

Nota:

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Já disse aqui outras vezes o quanto eu gosto de ler biografias. Me divirto tremendamente conhecendo pessoas impressionantes (meu tipo preferido) que, de outra maneira, talvez nunca soubesse que existiram. Fernando Morais me apresentou uma dessas pessoas. E minha alegria só aumentou quando percebi que esse era um brasileiro que valia a pena conhecer, de verdade.

O livro nos conta sobre a vida do Marechal Casemiro Montenegro – um apaixonado por aviação que começou sua carreira em uma de nossas épocas mais quentes: os anos 20 e 30. A República do Café com Leite estava a toda e, para quebrar esse ciclo vicioso de presidentes ou paulistas ou mineiros, surgiu Getúlio Vargas e o movimento conhecido como Tenetismo e a Coluna Prestes. O Brasil borbulhava com revoluções, avanços tecnológicos, idealismos ferrenhos e tudo o mais.

O Tenentismo foi originado dos militares mas teve pouco a ver com os militares que chegaram ao poder na década de 60, ou seja, a ideologia dos militares brasileiros flutuou entre direita e esquerda. Os tenentistas – grupo do qual Montenegro participava – exigiam que outras pessoas pudessem participar da política do país mesmo que não fossem ricas e membros de alguma oligarquia dominante. Essa exigência considerada democrática nos levou a uma série de pequenas revoluções que terminaram por colocar Vargas no poder.

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Montenegro era cearense e aviador de coração – duas coisas que no Brasil de 1920, eram desconsideras (e uma delas ainda é mas não vou dizer qual para não estragar a surpresa). Em seus primeiros anos como piloto, organizou o embrião do Correio Aéreo Militar que se tornou o Correio Aéreo Nacional integrando regiões do país afastadas e em grande necessidade de desenvolvimento.

O CAM foi um sucesso e, com Getúlio no poder apoiado pelos tenentistas, começou-se a debater a importância de criar um Ministério da Aeronáutica. Isso porque quando a 2a Guerra estourou, o mundo viu a Alemanha mudar totalmente as estratégias bélicas: o avião passou a ser uma dar principais armas e não apenas um item de apoio. O jogo havia mudado e os aviões estavam no centro dessa mudança.

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Montenegro, depois de uma viagem aos EUA, apoiou a criação de um instituto de tecnologia para que o Brasil pudesse desenvolver seus próprios aviões: nascia o ITA – que até hoje é referência em excelência nos estudos de engenharia do país. Anos mais tarde, sairiam dali dois dos fundadores da Embraer.

Ler biografias de pessoas chave na História, nada mais é do que ter mais um ponto de vista daquilo que já aprendemos antes. Essa é minha parte preferida. A cereja do bolo é quando o  escritor consegue juntar tantos documentos que a vida do biografado se torna tão real e tão exata que você fica se perguntando como nunca tinha ouvido falar dessa pessoa antes. Fernando Morais fez um trabalho de pesquisa detalhado e o livro é recheado de fotos e dados que podem parecer irrelevantes mas acrescentam à personalidade de Montenegro.

Mas sempre temos o outro lado da moeda. A sensação que me deu ao ler esse livro – algo semelhante que senti em Olga – é que Morais senta para escrever com uma idéia fixa da imagem que quer passar. É quase como se seus personagens históricos não tivessem defeitos. Isso me incomoda um pouco. Em Montenegro, vemos um homem exemplar que nunca fez nada de errado, nem ofendeu alguém, nem entrou em uma briga, nem deu vexame, não tinha inveja, nem ódio e etc. (exemplos livres). Nada disso.

E isso pode ser verdade. Mas, às vezes, isso pode fazer com que o livro mais pareça um conto de fadas perfeito. Se não fosse situado em um Brasil tão imperfeito eu diria que é ficção. Ainda assim, é uma boa leitura, um bom objeto de estudo e uma excelente maneira de saber mais sobre a História do Brasil do ponto de vista de quem a fez e deixou um legado importante.

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