Resenha – Não sou este tipo de garota
por Patricia
em 04/08/14

Nota:

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Bom, pela capa do livro, imagino que vocês estejam com uma idéia sobre o que fala “Não sou este tipo de garota”, certo? Mas deixe-me explicar porque eu, uma jovem senhora, resolvi ler este livro: primeiro porque acho que ele me força a sair de uma zona de conforto que construí. Segundo porque eu estava em uma ressaca literária fora do normal e achei que sair do meu padrão de leitura, serviria como uma neosaldina.  Aliás, essa é sempre uma boa dica para evitar ressacas literárias eternas.

Pois bem. Abri o livro sem saber nada sobre o que iria encontrar, além do meu julgamento básico da capa, apesar do ditado dizer para não fazermos isso. Mas somos apresentados à Academia Ross – uma daquelas escolas rígidas com uniformes e Conselho Estudantil. Natalie Sterling é uma mocinha veterana das mais inteligentes, pronta para assumir a Presidência do Conselho no seu último ano e fazer coisas importantes.

Ela conta com a ajuda de sua melhor amiga Autumm. Natalie é bem o tipo padrão de menina dessa escola – estudam muito, é bem focada e quer que as pessoas notem seus esforços e sua inteligência. Quando consegue ser eleita Presidente do Conselho, ela já tem planos bem ambiciosos.

Suas idéias começam a tomar uma forma mais…adulta (na falta de uma palavra melhor), quando Spencer – uma caloura que Natalie já conhecia antes – decide que a escola precisa de mais cor e dança. Spencer não tem vergonha do próprio corpo, se é que vocês me entendem. Usando o primeiro grande evento da escola, ela junta um grupo de calouras e forma o Rosstitutas – grupo de dança.

Enquanto muitos as julgam como fáceis – porque é claro que toda garota de blusa colada está querendo atenção masculina – Natalie aproveita a oportunidade para criar uma reunião onde deveriam ser debatidos assuntos como: o poder feminino, o papel da mulher na sociedade e afins. Ainda que não usasse especificamente esses títulos. A professora Sra. Bee ajuda a definir o que tudo isso quer dizer, indicando livros de Simone de Beauvoir e alguns outros que tratam de temas similares.

Pouco antes do meio do livro, a leitura começava a tomar um rumo diferente. Comecei a pensar que esse poderia ser um livro feminista para jovens. Parecia promissor.

No simpósio, as coisas começam a não dar tão certo – pelo menos a não irem como Natalie esperava. Spencer toda conta da situação e quer de toda maneira, discutir a relação mulher e sexualidade. E por quais motivos a sexualidade feminina pareciam assustar tanto as pessoas.

Fica claro que os dois lados da moeda serão representados por Spencer, uma menina de 14 anos que está muito confortável em sua própria pele e Natalie, uma veterana de 17 anos que se sente totalmente desconfortável em qualquer ambiente não controlado. Spencer acredita que pode usar seus atributos para manter certa vantagem e Natalie acha que este tipo de garota não é das melhores, ainda que as duas sejam amigas.

As discussões ficam um pouco rasas, mas a mensagem é clara: pessoas diferentes não são inimigas. Mulheres diferentes, não são inimigas. Todo mundo tem uma história para contar e cada um sofre à sua maneira. É uma mensagem poderosa se entrar na cabeça de jovens no começo da adolescência – aquele momento incrível e intenso e meio depressivo.

O livro dá conta do recado até certo ponto, mas perde a chance de aprofundar-se um pouco mais. Tem tanto assunto misturado que o livro acaba virando uma salada mais do que uma conversa sincera sobre meninas e os limites de suas sexualidade, auto-estima, obsessão com resultados e tudo o mais.

É uma boa leitura, mas para quem quer usar o livro como porta de entrada para um debate mais profundo com a filha/irmã/neta adolescente, tem que estar pronto para completar algumas lacunas. No mais, é um esforço importante.

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1 Comentário em “Resenha – Não sou este tipo de garota”


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Samara em 04.08.2014 às 16:38 Responder

Oi Paty! Esse livro me lembrou Lonely Hearts Club, que aborda temas importantes, mas de forma rasa. Serve como um despertar, caso a pessoa tenha interesse em buscar algo mais. O problema de ser abordado de forma tão superficial é que pode escapar a muitos leitores mais desatentos.
Abraços!


 

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