Resenha – Neil Young: a autobiografia
por Bruno Lisboa
em 08/05/15

Nota:

download

Decepcionante. Se uma palavra pudesse definir o que Neil Young – a autobiografia representa, infelizmente, esta seria a que melhor definição.

Aguardada por muitos, a mesma foi lançada em 2012 e por mais que seja dotada de bons momentos peca de maneira vertiginosa. Seu grande erro foi traçar um olhar muito mais atencioso para com o presente do que resgatar ao passado.

Dono de uma extensa carreira que viveu grandes momentos nas décadas de 60 e 70 e recrudesceu nos anos 90, Young tem trunfos uma discografia memorável e dezenas de discos clássicos (Zuma, Everyboy knows this is nowhere, Tonight is the night, Haverst, Ragged Glory… a lista é enorme), uma passagem meteórica pelo supergrupo Buffalo Springfield e a parceria consolidada no formato quarteto (no essencial Crosby, Stills, Nash e Young) que de fato renderiam histórias inúmeras para os adoradores do mestre. Porém, o cantor canadense optou por abordar remar contra a maré.

Por mais que a inspiração de sua escrita resida em Vida, exímia autobiografia de Keith Richards dos Rolling Stones, o autor de hinos atemporais para universo da música  opta por realçar sua paixões como a produção de seu disco mais recente (na época o bom Pshychedelic pill), revela a predileção por automóveis antigos, seus trens de brinquedo e o projeto Pono (que promove a eliminação do formato MP3 em prol de algo com qualidade melhor)  que tomam grande parte da obra, em momentos inicialmente interessantes, mas que se tornam repetitivos e monótonos ao longo de seus sessenta e oito capítulos. Não obstante, por vezes vários temas são entrelaçados de maneira tão desconexa que no final não se chega a lugar algum. Seus problemas com drogas ou desavenças homéricas com muitos artistas ganham poucas linhas.

Mas nem se quisesse Neil conseguiria produzir algo que não seria digno de nota, pois trechos luminosos surgem ao decorrer do texto. Com saudosismo Young relembra a parceria com David Briggs, responsável pela produção de diversos discos do cantor.  A relação com os dois filhos que tem paralisa cerebral e o seu pai também ganham ares tocantes. A admiração por outros artistas também ganham corpo. Em certo momento ele revela a predileção por bandas novas como Mumford and Sons, Wilco e Foo Fighters e escancara o respeito por outros artistas como Nirvana, Pearl Jam, Sonic Youth e o mestre Bob Dylan. Ainda nesta seara, outro momento de destaque do livro é o emocionante relato sobre a morte de Kurt Cobain, que citou parte da letra de “Hey hey, my my (into the black)” em sua carta de suicídio.

Em tempos onde se discutem a realização ou não de biografias não autorizadas por estas bandas é interessante pensar que em grande parte das vezes aqueles que não tiveram nenhum aval para escrever sobre determinado artistas são os responsáveis pelos melhores trabalhos desta seara.

Se você almeja conhecer a fundo a carreira do cantor canadense recomendo ler primeiramente Shakey , biografia de Jimmy McDonough ainda inédita por aqui, obra muitíssimo bem escrita, abrangente e sem predileções ou excessos.

Postado em: Resenhas
Tags: , ,

Nenhum comentário em “Resenha – Neil Young: a autobiografia”


 

Comentar