Resenha de Quadrinhos – Nêmesis
por Gabriel
em 15/03/14

Nota:

NêmesisNêmesis é um quadrinho independente, publicado nos Estados Unidos por seu autor. No Brasil, foi publicado pela Panini Books, braço um pouco mais “luxuoso” dos quadrinhos da Panini. A edição é em capa dura e em papel de qualidade, funcionando como ótimo pano de fundo para a arte da HQ.

A proposta em Nêmesis é relativamente simples. Dois artistas vindos do universo dos super-heróis resolveram retratar um super-vilão como personagem principal de uma trama. Só que Nêmesis não é apenas um super-vilão, ele é um homem extremamente rico, calculista e simplesmente cruel. E a arte de McNiven é muito mais sangrenta e diretamente violenta do que o padrão dos quadrinhos de super-heróis.

Esta HQ é uma pancada rápida. Apesar de ter sido escrita como uma minissérie em 4 edições, a leitura é dinâmica e não há um número exagerado de balões de texto, com o foco da obra sendo muitas vezes os desenhos e a colorização. Há várias páginas que poderiam se tornar pôsteres, com imagens do personagem principal em poses impactantes.

O roteiro de Millar bebe direto da fonte dos quadrinhos de super-heróis, com o personagem principal tendo identidade secreta, roupas espalhafatosas e um objetivo pelo qual ele é obcecado. A grande diferença é de ponto de vista, já que aqui falamos de um super-vilão. E um super-vilão em um mundo em que não há super-heróis, o que é importante; pois Nêmesis é um homem com muito poder, enfrentado por policiais e exércitos como os que temos no mundo real. Suas armas são o terror psicológico e ataques a grandes massas, como os grupos terroristas de hoje. Além disso, seu dinheiro em altas quantidades lhe dá acesso a armas e brinquedos espetaculares. Desta forma, Nêmesis coleciona mortes pelo mundo, principalmente na Ásia, sempre perseguindo policiais proeminentes, e volta suas atenções para os Estados Unidos, onde a trama da HQ se desenrola. Blake Morrow, o policial perseguido da vez, é um personagem complexo, que praticamente abdicou de sua família em nome da carreira e entra de cabeça nas provocações e nos jogos de Nêmesis.

A ideia por trás de Nêmesis é criativa. Apesar de se utilizar do já manjado universo dos super-heróis e criar uma mera versão vilã do Batman, Millar constrói com precisão os personagens envolvidos e as situações, em um estilo que parece ter sido feito para uma posterior transposição aos cinemas. A estória tem começo, meio e fim bem delimitados e termina com um bom balanço entre o óbvio e o inesperado.

A forma como a estória é contada, com muitas imagens e menos texto, com cenas espetaculares e colorização na medida, é adequada ao roteiro. No entanto, a quantidade de sangue e cenas extremamente violentas é questionável; uma escolha da arte que deixa a HQ um tanto quanto exagerada em alguns pontos.

Nêmesis se situa em uma zona cinzenta em termos de público-alvo. É um quadrinho adulto, pelos jogos psicológicos presentes, o aspecto do terrorismo e a quantidade absurda de cenas violentas. Mas traz de volta a temática de super-heróis, ainda que de uma forma um tanto caricata. Ainda assim, gostem ou não da capa e da fantasia de Nêmesis, podemos facilmente dizer que é um prato cheio para aqueles que buscarem uma boa história de ação, ao melhor estilo hollywoodiano de grandes perseguições que destroem o mundo inteiro pelo caminho.

Quanto a Millar e McNiven, os autores, a própria obra é um bom cartão de visitas. Vindos do mundo dos super-heróis, eles produziram esta HQ de forma independente e dão uma bela prova do que são capazes em termos de arte e roteiro.

 

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