Resenha – No útero de Paulo, o embrião não nascerá
por Juliana Costa Cunha
em 25/05/20

Nota:

Tenho certeza que você leitora ou leitor já foi fisgada/o por uma capa de livro ou por seu título. Duvido que isso não tenha acontecido com você pelo menos uma vez. Comigo acontece sempre. As duas coisas. Não poderia ser diferente com este livro, não é mesmo?

O que esperar de um livro com título assim Eu diria que tudo. Pro bom e pro ruim. E, como no meu caso, apenas fui pelo título sem ler nada sobre a obra, nem mesmo a orelha do livro quando ele chegou, imaginem que eu tava bem curiosa, né?

Pois bem, Leandro Franz me surpreendeu. Primeiro que, por conta do título, pensei ser esta uma narrativa sobre homens trans. Não é. O autor cria um espécie de distopia e nela, nos narra uma história de homens e mulheres Cis, vivendo numa sociedade heteronormativa meio futurista, porém com os papéis atribuídos a cada gênero invertidos.

Dessa forma, o casal principal – Carla e Paulo, vive sua vida na mais perfeita harmonia das inversões de papéis. Carla trabalha numa multinacional, desenha robôs. Tem uma vida agitada de trabalho e faz todos os rolês com suas amigas de bar a puteiro. Ela também deveria a ajudar na casa no dia que o casal acordou para ser o dela limpando a terrinha do gato, mas sempre esquece e Paulo precisa fazer essa tarefa. Paulo é o homem da história que quem a prerrogativa de engravidar (mas é Carla que quer muito esse filho e que pode engravidá-lo). Paulo cuida da casa e pinta. Suas pinturas são sempre de pôr do sol. E seu grande sonho é desenhar 365 pores do sol em lugares diferentes. Porém, Paulo de descobre grávido.

Esse é o enredo central da narrativa. No meio dela temos a reprodução de papéis de gênero, mesmo sendo as funções sociais e biológicas trocadas na história. A mulher é pegadora e frequenta puteiro na hora do almoço pra distrair a cabeça. O puteiro não tem putas, mas putos. São homens. Carla é aquela que deseja muito ter um filho, sonho de vida, sem com isso levar em consideração o desejo de seu marido e seus sonhos.

Paulo, por sua vez, não quer ter o filho. Pensa em todas as coisas que deixará de fazer tendo uma criança. Coloca em questão a possibilidade de aborto e sofre com isso todas as pressões possíveis para mudar de ideia. Há uma discussão muito forte sobre aborto no livro. Bem como sobre gerar ou não mais uma criança e adoção.

É um livro regado de ironia e sarcasmo. Um tipo de humor que gosto muito. Me fez rir em várias passagens e, apesar das críticas que o livro trás, foi uma leitura leve para esses tempos de isolamento social e baixíssima concentração. Fica a dica.

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Livro enviado pela editora

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2 Comentários em “Resenha – No útero de Paulo, o embrião não nascerá”


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Gabriel em 21.08.2020 às 09:39 Responder

AMEI a indicação, irei procurar assim que possível!!

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Juliana Costa Cunha em 21.08.2020 às 10:08 Responder

Maravilha! Espero que goste. Boa Leitura. 🙂


 

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