Resenha – Nu, de botas
por Patricia
em 17/11/14

Nota:

Unknown

Antonio – sem acento – Prata!! Finalmente consegui ler um livro do autor. Eu adoro crônicas e acompanho o trabalho de Prata na Folha de São Paulo onde ele escreve semanalmente. Eu estava realmente curiosa para saber mais sobre seu recente livro – Nu, de botas. Melhor ainda, no mês do Desafio do Tigre dedicado a autores nacionais. 😀

Como fã de crônicas, investi no livro com boas expectativas. Para mim, sempre é interessante ver um autor contar em poucas páginas um causo com começo, meio e fim. Haja objetividade. E pior, muitos ainda incorporam humor! Eu, como pessoa que nunca conseguiu escrever uma redação com o mínimo do que a professora pedia (no meu caso ela estipulava um máximo), fico realmente encantada com textos curtos e completos, bem finalizados.

Nu, de botas; como não poderia deixar de ser, é um apanhado de crônicas do autor, mas com uma tema muito especifico: sua infância. Prata escreve sobre lembranças antigas em seu estilo despojado e muito engraçado. Temos uma crônica sobre sua luta com as cuecas e suas dúvidas filosóficas sobre o que elas deveriam fazer, suas desventuras no tanque da areia da escola e a chatisse com que tinha que deixar o desenho depois do colégio para uma visita de família. Os temas são pertinentes a todos, acredito – mesmo se você nunca precisou usar cuecas, é fácil fazer uma adaptação. Muitos me lembraram partes da minha própria infância: principalmente a crônica sobre querer matar aula fingido estar doente só para o termômetro te desmentir. Quem nunca?

A escrita de Prata segue seu ritmo e estilo já conhecido nas colunas do jornal, mas o melhor gostinho é o de estarmos compartilhando um jantar em família em que decidem contar algumas das histórias mais engraçadas e vergonhosas do filho. Assim é ler Nu, de botas. É entrar um pouco na vida do autor da melhor maneira possível, pela porta da frente, convidados por ele mesmo.

A leitura flui de uma maneira quase imperceptível: são 140 paginas que dá para ler com o mesmo gosto com que se pode devorar suas colunas. É agradável, divertido e, prepare-se para pagar alguns micos na rua: mais de uma vez uma pessoa ficou me encarando no ônibus enquanto eu quase caía do banco de tanto rir lendo o livro. Claramente, essas pessoas achavam que eu estava com algum problema mental sério. Uma Senhora chegou a balançar a cabeça algumas vezes, acho que com dó. O que só deixou tudo mais engraçado.

Nada disso abalou a minha leitura. Prata seguia entregando crônica atrás crônica com um recheio que me proporcionou boas horas no transporte público. Infelizmente, terminei o livro antes de chegar ao ponto e quase comecei de novo só pela diversão de encarar mais algumas das situações que ele descreve.

Essa seria uma ótima pedida para ler depois de um livro denso, por exemplo. Algo que costumo fazer quando leio alguma coisa intensa demais, que me toma tempo demais e que, sejamos sinceros, exige mais concentração do que o normal. É livro para se ler em um dia, em poucas horas ou, melhor ainda, ler uma crônica por dia e prolongar o tempo que se passa com esse divertido gênio, que consegue ver humor em praticamente tudo, inclusive em seus maiores micos infantis.

Eu sou fã de Sabino que sempre foi um de meus cronistas preferidos, mas acho que Prata está chegando perto. Preciso, claro, ler mais algumas obras do autor e já estou com uma listinha amiga para ir atrás (o título que mais chama minha atenção no momento é Meio intelectual, meio de esquerda).

5 doses de café daquele importado belga com baunilha do Haiti e açúcar francês. Recomendadíssimo!

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