Resenha – O amante
por Patricia
em 16/10/13

Nota:

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Nossa narradora é uma mocinha de 15 anos na década de 30 vivendo em Saigon na Indochina. Filha de franceses, ela vive a derrocada da família e o desespero silencioso que parece se instalar em suas vidas. Com a morte do pai, a mãe que era diretora em um liceu para moças se vê obrigada a cuidar dos 3 filhos e manter o padrão de vida com que estavam acostumados. Ou pelo menos tentar.

Isso se mostra uma tarefa muito difícil e o filho mais velho acaba sendo mandado de volta para a França por um tempo. Enquanto a mãe luta contra os cobradores, a menina entra naquela fase complicado da adolescência e percebe que não é bonita. Pode parecer pouco razoável ou até insano, mas para nossa protagonista isso foi apenas uma constatação. Ela acreditava que chamava a atenção apenas por ser uma menina branca na Indochina. Nada mais que isso. Para uma menina de 15 anos, isso pode ser o começo de uma crise de auto-estima e considerando que sua mãe era ausente, a crise era iminente.

Mas eis que um belo dia surge um chinês em uma limusine preta, estiloso, dez anos mais velho e diz que, de fato, ela é muito bonita. É ali que ela percebe que pode ser e fazer o que quiser com qualquer homem dependendo das circunstâncias. O primeiro amante abre um mundo todo de possibilidades para a menina. Ela testa os limites do liceu onde estuda e percebe que há muita coisa que se pode fazer quando se é “superior”.

Uma vez aberta essa porta, a menina descobre um mundo de desejos e fantasias que ela pode operar dentro de sua cabeça sem ter que explicar nada a ninguém. Em menos de 100 páginas, vemos o desabrochar para uma vida que ela mal conhecia. Apesar de uma família caótica e cheia de problemas, ainda é possível fazer planos e pensar em coisas melhores.

O amante não é um romance água com açúcar. Mal sei se posso dizer que é ficção já que muito do que tem aqui foi tirado diretamente da vida de Duras. Mas é mais sobre o auto descobrimento do que sobre sexo ou amor. Até porque, nem sempre um anda acompanhado do outro.

A narradora nos leva para o futuro em Paris e de volta às suas lembranças em Saigon. Enquanto isso, temos a chance de conhecer um pouquinho sobre a vida na época: como brancos e chineses não se misturavam, como os estrangeiros se achavam superiores e basicamente donos do local ainda que tivessem menos sucesso financeiro e etc.

O livro alterna entre primeira e terceira pessoa e não tem indícios de diálogos. São apenas textos corridos que também não seguem necessariamente uma linha única de pensamento. Apesar de ser a receita para uma estrutura bagunçada, a escrita de Dumas é tão leve e bonita que nem dá tempo de analisarmos muito. Em apenas 96 páginas, encontramos muito contéudo.

É uma leitura realmente rápida e com floreios românticos pela região e época. Vale a pena.

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