Resenha – O Anticristo
por Ragner
em 01/08/12

Nota:

“A Maldição Ao Crisianismo”, eis o subtítulo do livro e é exatamente sobre o que ele trata. Nietzsche não cria um conceito contrário à Jesus Cristo, como muitos acreditam, mas exibe uma declaração, conforme suas convicções, que expõem deturpações contrárias ao que o “Crucificado” pregava.

O livro serviu como de base de trabalho para minha monografia na Graduação e foquei principalmente na apresentação de um conceito que distanciasse a visão de anticristão do filósofo  alemão.

Nietzsche já começa atacando o cristianismo, explicando que tal religião possui um efeito depreciativo no homem, conduzindo-o à uma vida de fraquezas, cheia de deteriorações, negando o que há de melhor na humanidade, contrariando os instintos de conservação de uma vida que deveria ser focada em uma vontade de poder. Com o cristianismo há um declínio e a compaixão, que seria um dos motivos a priori do cristão, nega a vida, não a valoriza.

Durante seu discurso, Nietzsche também conceitua que outras religiões apresentam particularidades melhores do que o Cristianismo. Aqui somos apresentados à visão dele sobre o Budismo, Islamismo e Judaismo, onde ele trabalha o que ele identifica como bom e mal dentro de cada uma.

Para Nietzsche “o cristão é o ódio ao espírito, ao orgulho, coragem, liberdade, libertinage do espírito; cristão é o ódio aos sentidos, às alegrias dos sentidos, à alegria mesma…”, mas por culpa de Paulo, não de Cristo. O que veio após o crucificado é indecente, pois o ÚNICO cristão morreu na cruz, junto ao seu evangelho, e Nietzsche explica aqui que os discípulos no Nazareno deturparam sua doutrina, principalmente Paulo, que iniciou um cristianismo contrário ao da boa nova. “O que Paulo conduziu ao fim, com o cinismo lógico de um rabino, foi, apesar de tudo, apenas o processo de declínio que teve início com a morte do Redentor” e isso ele também defende ao esclarecer que os cristãos pensam em uma recompensa pelas ações boas e que aceitam o castigo quando imaginam que estão no caminho do mau.

A sabedoria do mundo encontra no cristianismo sua ruína, seu inimigo mortal . A ciência é visualizada como pecado, pois vislumbra algo que não é Deus diretamente. A ciência explica o mundo de forma diferente e aqui é instaurada uma sensação de culpa, pois discutir Deus e os dogmas da religião, posiciona o homem como um ser que contraria seu criador, e isso o enfraquece mais e mais, castigando-o por querer entender o mundo que o cerca e demais dúvidas que o atormenta.

O cristianismo é entendido, por Nietzsche, como uma doença, um vício, uma dependência, uma mentira. “Eu declaro o cristianismo a grande maldição, o grande corrompimento interior, o grande instinto de vingança…eu o declaro a perene mácula da humanidade”. Mas ele considera Jesus Cristo como um espírito livre, um ser que poderia alcançar o Übermensch o “Além-do-homem” e isso não pode ser interpretado equivocadamente.

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19 Comentários em “Resenha – O Anticristo”


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Gustavo Almeida em 01.08.2012 às 11:54 Responder

Tenso… deve ser bom.

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opoderosoresumao em 01.08.2012 às 19:05 Responder

O livro é bem claro e tranquilo. Sem expressões rebuscadas ou algo do tipo. Muito bom.

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roberto matheus em 13.11.2013 às 16:15 Responder

MUITO CLARO, NA VISÃO DE NIETZSCHE O CRISTIANISMO VIVE QUERENDO A RECOMPENSA PARA O BEM E O CASTIGO PARA O MAL, DEPLORA O HOMEM E SUAS RAZÕES BEM COMO DEPLORA A CIÊNCIA QUE EXPLICA A ORIGEM DO MUNDO DIFERENTEMENTE DA RELIGIOSIDADE.

Ragner
Ragner em 13.11.2013 às 16:37 Responder

Lembrando-se de que Nietzsche criticava o cristianismo paulino (podemos aqui generalizar o catolicismo), nada contra Jesus. Uma das observações nietzchianas contrárias ao cristianismo pode mesmo, creio eu, ir de acordo com tal religião querer “a recompensa para o bem e o castigo para o mal”. Tal cristianismo enfraquece o homem e o instiga a seguir a moral do escravo, que de nada o ajuda a atingir o Übermensch (além do homem) e o distancia da vontade de poder.

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Carla em 18.09.2014 às 22:09 Responder

Esse cara era perturbado. Ou só retardado mesmo. Não foi atoa que morreu louco, Deus não tem prazer no mal mas não divide sua glória com ninguém e também não aceita ser tão ofendido. Se nietzsche tivesse dado o filho dele por alguém e recebido tanta ingratidão, como ele fez com o próprio Criado, que fez isso por ele, ele jamais escreveria isso 😀

Pena que ele não conheceu o amor de Cristo, provavelmente teria sido muito mais feliz do que foi!

Ragner
Ragner em 19.09.2014 às 16:32 Responder

Cara Carla!

Acredito que você não tenha entendido a resenha e muito menos lido o livro. Nietzsche em momento algum fala mal de Deus e nem de Cristo, ele critica o cristianismo propagado por Paulo, acreditando que todo o ensinamento de Jesus foi deturpado.

Ele não era retardado, talvez perturbado antes de morrer graças a doença, mas o pensamento dele deveria ser lido e discutido de maneira melhor. Até o título na verdade tem mais carater de “maldição ao cristianismo” do que O Anticristo.

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Gali em 20.10.2014 às 13:39 Responder

O cerne das ‘preocupações’ da filosofia nietzschiana, é em relação a moral. Os tipos de moral; a que eleva e a que diminui o homem. Uma moral nascida da fraqueza, oriunda das classes populares como a de ser à gênese do cristianismo, é indicio de degeneração do que é mais forte/potente, os instintos. O sexual por exemplo, Nietzsche nos demostra como o cristianismo abomina seus pressupostos – o cristianismo tentou e tenta dissecar o que a de mais profundo nos instintos… o que há de mais afirmador da vida. A moral nobre foi corrompida pela moral dos fracos, ou seja, o homem esta a caminho de ser ‘rebanho’, homens totalmente enfraquecidos, sem vazão de força vital, originalidade e defesa, apenas homens que sempre serão comandados e não comandantes! O cristianismo como religião é a negação da vida, do aqui e agora, como também – negador do mundo e da natureza. Seus pressupostos são fundados no além, no espirito e não na carne/corpo, no Reino dos Céus e não no aqui na Terra – sua mãe natureza.

Ragner
Ragner em 20.10.2014 às 17:46 Responder

Eis um entendimento de toda filosofia nietzschiana. Parabéns.

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Gali em 20.10.2014 às 21:09 Responder

Na obra, o autor alemão também enfatiza a discussão sofre as diferentes ideias/definições acerca dos conceitos de Deus, ou, (com um povo interpreta ser o seu Deus). O Deus de Israel e o Deus cristão. Para Nietzsche o segundo é consequência do primeiro, embora os cristãos não desejem isso. Apesar de remeter a questões fictícias, como era ‘espirituoso’ a cada judeu, o Deus de Israel em nada se parece com o Deus eleito pela popularidade da doutrina empenhada pelos cristãos como Paulo de Tarso. O conceito de Deus foi transvalorado denuncia Nietzsche. “O Deus dos Hebreus foi diminuído ao bem em si, ao simples amor, ao perdão a tudo que é de mais malogrado”. A afirmação à vida como: natureza e sua seleção natural do que é para ser “excluído” é agora – “mantido”, pelo conceito de Deus que tudo perdoa. A vida esta em risco sob este tipo de ideia/conceitos sobre nossas divindades afirmou o filosofo. Essa diferença entre os conceitos – Deus dos Judeus e o Deus dos cristãos; é facilmente diagnosticado nas diferenças entre o primeiro e o segundo testamento. Um deus eleito pelos fracos e oprimidos pela própria vida só poderia ser fraco também, tenta nos informar Nietzsche em o Anticristo.

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Gali em 03.11.2014 às 13:13 Responder

Com a “recompensa” no além, o aqui e agora é negado! a própria vida é negada. Pois, estaremos considerando a ideia de: conquista de um “bem” que não esta no “aqui”, no presente, na vida… A filosofia cristã prega justamente isso, valores fundamentais estão ‘funfados em estacas nada firmes’ do “além”. Para Nietzsche, por mais que seja ‘dolorosa’ a dor da existência, o homem deve enfrenta-la. Fugir ou refugiar-se no além, é coisa de homem fraco, ou, de homem que foi cultivado/gerado sob uma moral “fraca”. Uma moral que cultiva a fraqueza da potência vital na vida…e a desloca para o vazio – “a gravidade da vida foi deslocada para o além, o não real!” é negadora do único mundo possível, da única vida possível.

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Gali em 03.11.2014 às 15:13 Responder

Imagine jesus retornando ao mundo nos dias de hoje…imagine Jesus constatando para onde encaminharam sua filosofia… Uma pergunta logo lhe perturbaria…o que foi que vocês fizeram em meu nome? Eu nunca preguei isso!

Ragner
Ragner em 03.11.2014 às 16:34 Responder

Acredito que isso poderia ser também um pensamento de Nietzsche.

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Gali em 06.11.2014 às 13:38 Responder

Indo mais ao fundo na interpretação filosófica nietzschiana, encontraremos um autor preocupado com o homem. Não na versão ontológica em descrever o homem; mas sim, na versão que poucos em sua época adotavam. As investidas realizada por sua filosofia, ajuda-nos a compreender – quais valores morais elevam, e quais valores morais diminuem o homem. Quais “tabuas” de valores aumentam a potência do sujeito e sua cultura, e quais “tabuas” diminuem o homem em potência.

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Gali em 06.11.2014 às 15:32 Responder

O pensamento científico é fomentado com a “vontade de verdade” empenhada por Jesus e não o contrário! A figura de Jesus, representa “Deus” em forma de homem. Em culturas onde o homem não é tão divino assim, é pouco desenvolvido o pensamento científico, um exemplo são as culturas no Oriente Médio. Para Nietzsche, a proliferação de filosofias que busquem a “verdade” a qualquer custo, e essa verdade é oriunda do homem; como foi a filosofia tradicional iniciada por Sócrates e impulsionada por Jesus; é o primitivo espirito das ciências.

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Gali em 14.04.2015 às 16:50 Responder

O evangelho morreu na cruz! O que procedeu depois da morte de Jesus foi um “desenvangelho” em seu nome diria Nietzsche. Nada do evangelho seguiu-se daí por diante, pelo contrário, todas as ações de seus discípulos foram dominadas por “intenções” nada evangelizadoras…, elegeram Jesus como símbolo na LUTA contras seus inimigos (Judeus e Romanos) contrariando em muito seus mandamentos, seu (evangelium)…, que pregou PAZ e não “vingança, ódio, ressentimento e LUTA”.

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S. V. Reis em 02.02.2016 às 12:36 Responder

Não creio que o Apóstolo Paulo deturpou as doutrinas/filosofia do Cristo. Nietzsche não conseguiu chegar ao nível da filosofia paulina. Quem deturpou a doutrina/filosofia de Cristo foi a Igreja que tomou posse do Cristo e explorou os fiéis. Nietzsche está dizendo meia verdade e indiretamente está atacando o Cristo, o Salvador do homem no mundo caído.

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Gali em 31.03.2016 às 10:57 Responder

Para Nietzsche, Jesus e Cristo são personagens opostos dentro da mesma história, Jesus segundo ele, foi um “espírito livre” e de certa forma, um espírito elevado. Cristo como todos nós sabemos é uma palavra grega e significa literalmente o (messias), ou, o escolhido.
Uma forma de averiguar o que Nietzsche apresentou sobre o verdadeiro evangelho, e o mal entendido carregado de intenções nada evangelizadoras que procedeu com o movimento cristão, é pesquisar sobre as filosofias e ideologias pela qual Jesus compactuava na elaboração de suas doutrinas…, pois não existem registros sobre uma possível desvinculação de Jesus a estas formas de avaliar a vida.
O que é bem explicito e ficou registrado, é o ódio por vingança pela qual Paulo escreve boa parte do novo testamento…, ódio e vingança tão combatidos no “verdadeiro evangelho”, – como então Paulo ou o cristianismo poderiam representar o verdadeiro evangelho?

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Ronaldo Costa da Luz em 05.04.2017 às 12:32 Responder

Friedriche Nietzsche em sua obra o “Anticristo” expressa de forma crítica e filósofica sua opinião sobre a religião e crenças, também faz questionamentos como: o que é bom ?, o que é mau? O que é felicidade, por meio desses questionamentos é possível dizer quando o homem é mau consequentemente é fraco, corrompido, mas vale ressaltar que faz parte de sua natureza seguir seus extintos. O autor afirma com toda convicção que tudo é pura ignorância, então se você pensa que existe algo concreto a respeito disto, nada é concreto, você pode ter criado tudo menatalmente, até mesmo suas ideologias de se prender aos dogmas religiosos, até o seu ceticismo pode ser uma ignorância, devido a isso pode se criar preconceitos tantos religiosos como céticos.Diante disto é perceptível a flexibilidade do autor em expor sua opinião que também não passa de uma ignorância, pois o mesmo diz ” o seu saber é pura ignorância, todo experiência do mundo, todos os conhecimentos, toda psicologia, todos os livros” fica explícito que o que eu estou escrevendo também é pura ignorância. Apesar de ter afirmado é uma das maiores corrupções, que próprio homem que é responsável por isso, pois ao longo do século vem transformando todas as informações, criando novas religiões que não são de acordo com as verdadeiras e originais escritura, e termino reforçando que tudo pode ser uma ignorância de todas as partes, mas o importante é o respeito ao pensamento, vale lembrar que ninguém é preso por Obrigado a acreditar ou desacreditar, mas existem pessoas escravas por vontade própria.

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Gali em 22.05.2017 às 14:32 Responder

Realmente Nietzsche não é uma leitura fácil, uma prova disso, são as interpretações descritas logo acima; longe, muito longe do “alvo”. E este livro é considerado como introdutório à filosofia do autor, imagine o Zaratustra…? Fico pensando, o que mais o incomodaria nos dias de hoje: saber que, ainda depois de tanto tempo, não fora compreendido, ou, poder comprovar sua própria previsão sobre o “homem moderno”?


 

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