Resenha – O Buraco da agulha
por Ragner
em 13/05/13

Nota:

O buraco da agulha

Literatura de guerra não necessariamente está entre meus livros de cabeceira, mas gosto demais de histórias com espionagem e investigação. Tais elementos estão pressentes nessa trama de Ken Follett e digo à vocês que me fez pensar no livro com certos ingredientes de uma novela, não ele sendo uma, mas a construção dos personagens que possuem um eixo principal ao longo do enredo, me fizeram racionalizar isso.

Em O Buraco Da Agulha, o autor opta por dividi-lo em 4 partes e um epílogo. Em tais partes vamos nos entrosando mais com a história e conectando cada vez mais os fatos e o tempo/espaço. A primeira parte serve como apresentação dos personagens principais e como determinante de onde e quando se passará os acontecimentos. Já na segunda parte entendemos mais as motivações e importância de todos e assim, partilhando mesmo o enredo, segue o livro. Durante a leitura cheia de indicações históricas reais, podemos ir conhecendo quem é quem e como todos vão sendo inseridos e o porque.

A narrativa vai deixando o contexto da 2ª Guerra Mundial como pano de fundo e acentuando a vida de Henry Faber ( espião Die Nadel, a Agulha), Percival Godliman e Lucy. Os três vão seguindo suas vidas de forma normal (e isso gostei demais na escrita de Follett), com histórias paralelas que em alguns momentos vão se chocando. Godliman é um estudioso que se junta ao MI5 para desbaratar o serviço de espiões alemães na Inglaterra e acaba indo atrás de Faber. Após Lucy se casar com um militar e depois morar alguns anos em uma pequena ilha isolada, vai observando sua vida ficando sem sentido e passa os dias não querendo mais continuar esposa de um homem que não a deseja. Mas ela não é somente isso.

Eu particularmente gostei muito do espião alemão brilhante e do professor (Godliman) que tenta entende-lo e capturá-lo. Não explicitamente se discute o lado do bem e do mal aqui, mas sim o que cada um é capaz de fazer para defender seu lado e como cada um pensa sobre aquilo que defende. Faber é o espião capaz de captar as mais importantes informações sobre a inteligência inglesa e reportar ao exército de Hitler e Godliman passa anos em sua cola.

A leitura precisa ser atenta para não se perder o fio condutor, pois Ken transita de um personagem para outro sem necessariamente mudar de capítulo e para explicar certas situações, ele se utiliza até de flashbacks. Com o passar das páginas, somos conduzidos pelos anos que anteciparam a Guerra e os que a presenciaram. Até o amadurecimento de cada personagem é perceptível, já que o tempo passa para eles também.

O Buraco Da Agulha é um livro que não admite versar muito sobre, já que, além de contar spoiler, escrever muito pode estragar a tensão investigativa que Follett trabalha tão bem. Cada capítulo é uma informação a mais, cada parte uma condição que acrescenta a esse thriller, de certa forma histórico, uma particularidade que me fez imaginar como era mesmo o serviço de inteligência e espionagem durante os tempos de guerra. Uma leitura que faz pensar e isso já é mais do que ponto positivo.

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5 Comentários em “Resenha – O Buraco da agulha”


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Fernanda Rezende em 18.06.2014 às 09:51 Responder

Eu ganhei esse livro, em edição de bolso, sem dedicatória(acho um crime dar um livro de presente e não colocar dedicatória)e comecei a ler, unicamente por ser um presente, apesar de amar livros com a temática da Segunda Guerra…
Livro que surpreende, faz pensar e nos deixa ansiosos pelo fim!!

Um presente surpreendente e delicioso!!
Leitura super recomendada para quem curte espionagens e perseguições, um passatempo mais que em vindo.

Ragner
Ragner em 18.06.2014 às 18:10 Responder

Esse livro é muito bem escrito e toda a trama tem o ar histórico que fantásticamente nos integra aos anos de guerra e apresenta a espionagem como é na verdade, sem tantas glórias e nada parecido com o glamour de um James Bond. A vida de um espião deve ser mesmo bem precária e cansativa.

Eu tenho que confessar que faço parte dos caboclos que já deram muitos livros sem dedicatória, algo que tenho tentado consertar com o tempo. Kkkkkkk.

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Thiago em 18.06.2014 às 18:58 Responder

To lendo agora esse livro.

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Marina Albuquerque em 04.07.2014 às 11:37 Responder

Livro com dedicatória estraga o livro. Gosto dele limpinho…

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guilherme em 09.03.2015 às 11:28 Responder

Dedicatória, por que?
Quando você dá uma camisa de presente você escreve nela??
E quando dá um cd?? você escreve nele???
Se quer dedicar um presente faça em um cartão.
Mas em um livro???? Foi você quem escreveu?? Você é o autor e quer dedicar o livro a alguém??


 

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