Resenha – O Capital no Século XXI (Reupload)
por Gabriel
em 27/12/14

Nota:

O Capital no Século XXI

Sou um entusiasta da Economia e da Política e tento consumir todo o conhecimento possível nestas áreas. Fui informado da existência do livro de Thomas Pikketty pelas mais diversas fontes, ao longo de todo o espectro político e de todas as posições e níveis de conhecimento sobre política econômica. Me chamou a atenção esta fama tão plural que o livro alcançou.

O Capital no Século XXI ainda não foi publicado em português, mas a tradução, que sairá pela Editora Intrínseca, está planejada para o final deste ano. Li a edição em inglês, Capital in the Twenty-First Century, em versão para Kindle.

Thomas Pikketty é um economista francês. Sua proposta neste livro é analisar a evolução do dinheiro até onde os dados históricos permitirem, tirando daí importantes conclusões sobre a desigualdade e possíveis ações corretivas (ou pelo menos de mitigação) em relação à sua evolução.

A análise dos dados históricos é impressionante. Pikketty se debruça sobre dados de renda e tributários dos países desenvolvidos (especialmente a França, a Grã-Bretanha, os Estados Unidos, a Alemanha e a Suécia) para mostrar a evolução da renda e do capital ao longo do tempo, sempre se concentrando na taxa do capital em relação à renda (“capital/income ratio”, na tradução em inglês). Esta taxa seria um indicador importante de desigualdade, já que indicaria o quanto uma sociedade está permeada por “capital” (no sentido de dinheiro que rende investido) em relação à renda (no sentido de remuneração por um trabalho). Gráficos e tabelas sustentam a análise, além de links para os dados brutos, o que confere seriedade e ares de pesquisa científica ao trabalho.

Os dados são usados para mostrar os níveis alarmantes de desigualdade em que a maioria dos países desenvolvidos se encontra agora (ainda inferior aos picos históricos, mas já muito próximos). E argumentos são utilizados para explicar porque tal desigualdade seria prejudicial a qualquer sociedade, derivando deste ponto a necessidade de se atuar em relação a isso. E é aí que Pikketty começa a mexer em crenças estabelecidas, ao mostrar que o mercado por si só não regularia esta taxa de capital / renda de forma satisfatória, sendo necessária uma ação governamental. Diversas possíveis medidas são analisadas nos últimos capítulos, culminando em um grande estudo da tributação progressiva.

Ao final do livro, Pikketty ainda encontra tempo para se debruçar sobre os problemas da União Européia, pincelados ao longo da obra sempre que os assuntos de tributação progressiva são tratados (devido à natureza global do capital nos dias de hoje, o autor disserta por muitas páginas sobre a necessidade de uma taxação global e um compartilhamento dos dados financeiros, medidas sem as quais seria seriamente comprometida a eficiência de tal tributação). A única grande ausência são os dados dos países em desenvolvimento, no entanto bem justificados pela falta de dados de qualidade sobre tais países.

O trabalho de Pikketty é um ótimo livro de Economia e Política (ou Política Econômica, como queiram), que já causou furor e foi resenhado por figuras como Paul Krugman (se quer uma análise econômica de nível, pule a minha resenha e leia a dele). As opiniões divergem, mas é impossível simplesmente desqualificar o trabalho sem argumentos, devido ao seu alto nível de análise de dados (nunca antes alcançado, segundo o autor) e à qualidade de sua argumentação. Uma obra que carrega o título “O Capital” (como uma quase sequência de Karl Marx) já passa uma imagem de ambição, que Pikketty sustenta bem ao longo de seu texto. O tempo dirá o quanto seus argumentos serão bem utilizados e / ou aplicados, mas com certeza já tiveram impacto e prometem provocar ainda mais furor.

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