Resenha – O cavaleiro inexistente
por Patricia
em 10/12/12

Nota:

O Cavaleiro inexistente conta exatamente a história que você está pensando: a de um cavaleiro que não existe. E não, não estamos falando em termos filosóficos. Apesar de ter uma armadura, de saber muito bem como funciona a hierarquia e o sistema militar, ele não existe fisicamente. Ao abrir seu elmo, vê-se um nada, um vazio completo.

A história é narrada por Irmã Teodora – que vive em um convento e encontrou relatos da existência desse cavaleiro mas que de Guerra não sabe nada. O cavaleiro Agilulfo não existe mas sua história parece perdurar muito depois de seu sumiço. Carlos Magno e seu exército de fiéis cristão marchavam para lutar contra os infiéis e, por acreditar na missão, Agilulfo se uniu a Magno na luta.

Rapidamente, Agilulfo se torna referência no campo porque não dorme e parece executar todas as suas responsabilidades com perfeição – é irônico que o soldado mais perfeito de Magno não exista. (Piscadelas espertas para quem percebeu que NÃO é irônico e que o autor está tentando nos dizer algo).

Aliás, temos também uma mulher na briga toda. Bradamante é mulher que gosta de homem. Ela parece ser uma soldada boa mas também tem outras atividades pelos campos militares. Ela se encanta com Agilulfo pois “acontece que, quando uma mulher já se satisfez com todos os homens existentes, o único desejo que lhe resta só pode ser por um homem que não existe de jeito nenhum…”.

Eu achei engraçada essa visão tão….de macho. Mas a verdade é que num mundo onde as meninas se apaixonam por Edward Cullen ou Christian Grey, não sei exatamente se é uma afirmação refutável. Afinal, por mais que não conheçam todos os homens, o que podemos dizer de mulheres que desejam personagens fictícios e depois reclamam do que existe na realidade se não que são eternas insatisfeitas por feito próprio?

A historia é uma novela…tem  cavaleiro que mentiu sobre a origem por ser filho bastardo, tem paixonites, guerras, um Carlos Magno que parece mais um Zé da esquina e tudo isso em menos de 120 páginas. Calvino é um mestre em amarrar as histórias e revirar tudo na nossa cabeça.

Livro de leitura fácil e edição objetiva. Para quem ainda não conhece o autor, pode ser uma boa introdução.

 

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4 Comentários em “Resenha – O cavaleiro inexistente”


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Maria Ferreira em 29.07.2014 às 22:38 Responder

Li esse livro esses dias e não achei tão bom quantos alguns outros que li do Calvino, mas é inegável que ele está tentando passar uma lição, só não consegui perceber que lição é essa. Não saquei o lande do Agilulfo ter sumido daquele jeito…
Também não entendi o que você quis dizer com a ironia do soldado mais perfeito não existir. Quis dizer que perfeição não existe?

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Paty em 30.07.2014 às 07:20 Responder

Claro que tudo é interpretação pessoal, mas sim, entendi que a idéia de perfeição que Agilulfo representaria, não existe. Principalmente quando estamos falando de soldados em batalha justamente porque Calvino, dizem, era muito averso a guerras. Mas como eu disse, é uma pequena interpretação pessoal. 🙂

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Marcelo Caribé em 22.03.2015 às 15:23 Responder

Excelente resumo! Dá informações interessantes sobre a história, sem revelar as surpresas. Quanto ao livro, eu o adoro. Leitura fácil, deleitosa, com enredo bem amarrado.
Aos meus alunos: leiam o livro, esse resumo pouco os ajudará na atividade! 😀

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Lívia Beatriz em 27.03.2015 às 20:49 Responder

Caribé, mito! HAUHAU.


 

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