Resenha – O Colecionador
por Ragner
em 08/08/18

Nota:

 

Iniciei O Colecionador com uma ideia completamente diferente da que terminei (digo até que na metade do livro já mudava de opinião). Seja por ignorância ou mesmo por ser levado pelo que tinha lido em sinopses, vi o livro apenas como um clássico que versa sobre um sequestrador perturbado que teve uma vida bem complicada. E essa mudança de ideia me deixou deveras interessado em ter tal livro em minha coleção.

Aqui temos a história de Frederick Clegg, funcionário público, um sujeito à margem da sociedade, que sofreu bullying enquanto novo e era visto como o estranho colecionador de borboletas. Ao vislumbrar a jovem Miranda Grey (estudante de arte) pela primeira vez, se apaixonou tão absurdamente por ela, que passou a persegui-la por todos os lados. Após ganhar uma fortuna em apostas, planeja, então, ter Miranda só para ele, na tentativa de fazê-la se apaixonar por ele. Frederick tinha a convicção de que o cativeiro faria Miranda vê-lo como um igual, sem as distorções culturais que o caracterizava abaixo de sua classe social.

Até a metade do livro acompanhamos a visão de Clegg, suas intenções, motivações, planejamento, ações e um misto de pena; com entendimento (de sua dependência emocional por Miranda) que o caracteriza como um pobre coitado com um amor platônico que o leva a cometer um baita crime. Então, da metade para frente, lemos um diário escrito por ela de dentro do cárcere. Aqui temos a visão dela, com sua perspectiva de como a situação assustadora a transtornava e um pouco de como era sua vida antes de ser sequestrada.

Durante a leitura temos o ponto de vista de um obsessivo, de uma aprisionada e isso nos atinge de uma maneira bem impactante.  Ele – o sujeito solitário e esquisitão – e ela – a estudante politizada, cheia de amigos – são os narradores de uma história sobre excentricidade, dominação e antagonismo. As duas óticas (Clegg falando de si mesmo e de Miranda e vice versa) detalham bem a personalidade de cada um e ainda há mais duas partes que mexem com nosso entendimento sobre os dois personagens e no que concebemos sobre crueldade e inocência.

Se de cara temos a convicção de quem é o errado, os capítulos nos norteiam sobre as ações e reações de cada um e isso nos deixa pensativos de como os acontecimentos podem nos causar sensações conflitantes. O Colecionador tem todo o ar de suspense psicológico e sua leitura flui pela curiosidade de como será o desfecho antagônico entre sequestrador e vítima.

O livro foi adaptado para o cinema em 1965.

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