Resenha – O Corcunda De Notre-Dame Em Cordel
por Ragner
em 19/11/13

Nota:

CORCUNDA-DE-NOTREA-DAME

Voltando às resenhas de livros adaptados para literatura de cordel, trouxemos outro clássico da literatura universal. Originalmente chamado de Notre-Dame de Paris, o livro O Corcunda De Notre-Dame recebe uma linda homenagem nordestina e ao invés de termos a cidade luz como pano de fundo, temos Santana de Cajazeira como cenário dessa história dramática. Como Notre-Dame significa Nossa Senhora, Santana foi escolhida por ter como Nossa Senhora Santa Ana (mãe da virgem Maria) como padroeira. Alguns personagens tiveram os nomes modificados e algumas particularidades também alteradas, devido a mudança de lugar, mas toda a sensibilidade e profundidade romântica do original se mantém intacta nessa ambientação.

Com tal licença poética, acompanhamos nesse livreto as desventuras de Quasimudo (Quasímodo no original), Padre-Mal (Cláudio Frollo), Assis Sebastião (Pedro Gringoire) e Capitão Ferraz (Febo, paixão de Esmeralda). Esmeralda é a única com nome intacto, já que até sua cabra de estimação tem o nome mudado para Abigail. Com o nordeste brasileiro servindo como cenário para o romance de Victor Hugo, nosso herói disforme é um nobre sineiro da catedral situada ao lado do mosteiro onde Padre-Mal age de forma perversa.

Esse volume segue a estrutura dos outros já resenhados, com partes que nos introduz ao universo do autor original e uma apresentação que serve muito como uma aula literária e até histórica de todo o universo já criado que agora chega para gente como cordel. Temos textos sobre o livro e a época em que foi criado; como a história segue em linguagem de cordel; uma pequena nota biográfica tanto de Victor Hugo quanto de João Gomes de Sá, que foi quem escreveu a adaptação. Outro detalhe que engrandece cada um desses pequenos livros, são seus desenhos pontuais que ilustram muito bem alguns versos de cada obra escolhida para tal coleção.

Quasimudo, um homem com o “corpo distorcido, era um bebê deformado, surdo-mudo, quase cego, tinha um olho esbugalhado, e por um Padre cruel no mosteiro foi criado”, viveu sua vida inteira no mosteiro, longe de todos, escondido do mundo, sem conhecer ninguém. Enquanto a cidade estava em festa, conseguiu chegar à rua, foi logo de cara tratado com chacota e humilhado e teve que retornar as pressas à catedral. Esmeralda, uma linda cigana, ganhava a admiração de todos que a observava passar e não podia ser diferente para o corcunda, mas o coração da bela morena estava encantado pelo Capitão Ferraz, que a salvou de bandidos.

esmeralda

Entre rimas românticas e a cultura nordestina, o texto vai fluindo como algo novo, mas que deixa claro como a questão da beleza precisa ser revisto, seja no passado, presente ou futuro, deixa claro também como a nobreza dos sentimentos não estão ligados à poder ou possibilidades. O alegre Corcunda vive de forma inocente e está disposto a defender aqueles que quer bem. Um livro que merece ser classificado como clássico, pois sua história trabalha a diferença que insiste em subjugar homens, o amor que pode vencer qualquer pré-conceito e a luta revolucionária que combate a desigualdade. O que nos leva à outro clássico do autor: Os Miseráveis.

Postado em: Resenhas
Tags: , , ,

Nenhum comentário em “Resenha – O Corcunda De Notre-Dame Em Cordel”


 

Comentar