Resenha – O dia em que o rock morreu
por Bruno Lisboa
em 19/10/16

Nota:

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Em cena icônica de Quase famosos temos Russell Hammond (Billy Crudup) e Jeff Bebe (Jason Lee) discutindo de forma acalorada sobre o fato de produzirem ou não camisetas em alusão a banda (se você nunca viu a cena ou não se lembra eis o link). Para o primeiro este é um recurso mercantilista e uma traição que tira o foco principal da banda: a música pela música. Já o segundo acredita aquilo seria algo de grande valia, pois faz parte de toda a grande banda de rock em si.

O longa de Cameron Crowe é ambientado nos anos 70, década em que já problematiza a entrada do inimigo pela porta da frente e se visualizarmos o cenário mainstream do gênero hoje, que vive basicamente de inúmeros festivais megalomaníacos onde tudo importa (menos a música), o que vemos nada mais é que uma sonora derrota para a indústria do entretenimento. E é este o ponto central de O dia em que o rock morreu.

Escrito pelo experiente jornalista André Forastieri, o livro nada mais é que uma compilação de textos que o autor produziu ao longo dos anos 25 anos onde o mesmo verbaliza, de maneira passional, o que ele chama de morte do rock e como a falência do gênero acarretou as mudanças no mercado da música, como também no jornalismo cultural em si como se vê nos dias atuais.

Idealizado com um disco duplo em vinil, a obra é dividida em quatro segmentos com textos curtos nos quais Forastieri dispara “contra tudo e contra todos” e, na maioria das vezes, acerta em cheio o alvo. Nos lados A e B do “primeiro disco” o autor analisa, de maneira corajosa por vezes, a carreira de ícones imaculados e intocáveis da música. Sem dó nem piedade, o autor pontua a falta de ambição artística de alguns “heróis” (John Lennon, Lou Reed…), crítica a vida errática de outros (Amy Winehouse) e artistas pré-fabricados (Adele).

Já no “segundo disco” estão os melhores textos da obra, pois ele abandona olhares individuais de carreiras para analisar, no calor do momento, questionamentos contemporâneos quanto as mudanças estruturais que o universo da música perpassou globalmente. Nesse sentido o autor fala sobre o advento da pirataria, o encerramento das atividades de publicações musicais e da crítica, o fim da era dourada da MTV Brasil, e dedica os últimos capítulos a uma visão abrangente da morte de Kurt Cobain e o fenômeno Nirvana, cujo disco Nervermind é tido como o último grande disco e que fora responsável pelo derradeiro respiro do rock em si.

Por mais que em alguns momentos Forastieri “chova no molhado” como se percebe em textos elogiosos a Joe Strummer (The Clash), Raul Seixas, ao Queen ou bata em “cachorro morto” tal como nas linhas em que destrói as carreiras atuais de Caetano Veloso e Roberto Carlos, O dia em que o rock morreu traz reflexões e provocações pertinentes aos nossos tempos que sofreram drásticas modificações e ainda busca por repostas.

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1 Comentário em “Resenha – O dia em que o rock morreu”


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Ademar Amancio em 13.12.2016 às 13:40 Responder

Adoro leitura sobre música.


 

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