Resenha – O Duque e eu
por Patricia
em 01/10/14

Nota:

download

Sou fã de romances históricos e sou fã de Jane Austen. Esses dois fatos combinados me levaram a me interessar por “O Duque e eu” de Julia Quinn. Na quarta capa há um blurb de Jill Barnett que diz “Julia Quinn é nossa Jane Austen contemporânea.” Eu sei quem é Jill Barnett? Não. Mas afirmar que alguém é a nova Jane Austen é algo muito sério na minha vida. (Com uma breve pesquisa no google descubro que Barnett é uma autora americana. Com uma breve pesquisa no Skoob descubro que suas capas me lembram Nora Roberts).

Resolvi investigar por conta própria porque não é hoje que eu vou ouvir alguém ser comparada à tia Jane e deixar isso passar em branco.

Comprei “O Duque e eu” e me dispus a ler a obra.

O livro nos apresenta ao clã Bridgertons chefiado pela Viscondessa desde o falecimento de seu marido. Com oito filhos – OITO, minha gente – seu maior trabalho agora é casar os filhos com mulheres dignas da família e fazer com que Daphne – a quarta filha e a mais velha das meninas – encontre um marido. Rápido. Daphne precisa encontrar um marido, pois sua reputação está um jogo. Uma jovem passar dos 20 sem estar casada, era um sacrilégio para a alta sociedade da época. Então ela e sua mãe comparecem a diversos bailes tediosos de forma que a moça possa ser apresentada aos solteiros cobiçados (de preferência com um bom título) e ver se dá um suco de laranja desse bagaço todo.

É em um desses bailes que Daphne conhece o novo Duque de Hastings – um jovem que acabou de retornar à Inglaterra depois de 6 anos fora do país. O Duque é um libertino (palavra citada diversas vezes no livro) e as mocinhas já foram alertadas de sua reputação. Mas claro, óbvio, certamente que ele é assim….o cara mais lindo do mundo. Separei algumas quotes para vocês sentirem o quanto ele é lindo, maravilhoso, impermeável, perfeito, bonzão:

E tudo isso antes de chegar na página 50. Isso é o que eu chamo – e tenho notado como algo cada vez mais óbvio nos livros YAs que tenho lido – de a Crepusculização da personagem masculina. Se ele não for perfeito, se todas as mulheres não caírem a seus pés, se ele não for o cara mais lindo do mundo antes de sabermos se ele é gente boa ou não, ele não serve. Pobre Sr. Darcy – não duraria 15 minutos nessa nova literatura.

Mas vamos em frente.

Apesar de ser um dos solteiros mais cobiçados, o Duque – Simon – não tem paciência para a alta sociedade (quem tem, amigo?) por causa de alguns traumas de criança – o leitor já os conhece desde o começo do livro. Ele e Daphne se conhecem em circunstâncias adversas e ADIVINHE??? Daphne não se acha grande coisa!!! Ela acha que os homens não se interessam por ela porque ela é vista muito mais como amiga do que como mulher. Isso é o que eu chamo de a Crepusculização da personagem feminina. Se ela não tiver baixa auto estima, se ela não duvidar de si mesma, ela não serve. Ela precisa sentir isso tudo para o homem bonzão vir e provar que ela está errada. A opinião da única pessoa que importa na vida – o homem mais lindo do universo (ou pelo menos do bairro). Daphne não chega aos níveis de Bella Swan de sabor baunilha, mas tá quase. (Comentei sobre algo similar na resenha de “A maldição do Tigre”)

Mas vamos em frente.

Eles bolam um plano para se livrarem desses bailes enfadonhos: eles vão fingir que são um casal! Dessa maneira, ninguém mais vai precisar ficar apresentando pretendente nem para um, nem para o outro. Claro que as coisas começam a dar errado quando eles descobrem que se gostam de verdade e não conto mais nada.

Apesar das partes tediosas e nada originais, o livro não é de todo ruim. Dá para sentir a influência de Jane Austen tanto nas descrições de Quinn quanto de sua escolha de cenário. As referências são claras. Mas a comparação ainda não é justa, a meu ver. Claro que Quinn pode chegar lá – a idéia é que cada Bridgerton ganhe um livro próprio no que seria uma série com 8 livros (acredito que mais dois já tenham sido lançados aqui no Brasil pela editora Arqueiro). A autora escreve bem, cria um enredo razoável – ainda que não o tenha achado muito sólido – e segue seu próprio ritmo. A leitura do livro flui com facilidade justamente pelo enredo ser simples.

Me parece que a autora tentou aproveitar o sucesso de duas franquias: Crepúsculo pelos motivos que citei acima e também a onde de literatura hot, acrescentando algumas cenas explícitas – que eu não esperava encontrar. Achei um pouco fora do cenário que a autora cria. Mas ok, não é algo que quebre muito o ritmo de leitura.

Fiquei interessada em ler os demais livros da série, até para acompanhar o progresso da escrita da autora. A comparação com Jane Austen pode render muitos frutos para Quinn, mas também coloca o nível de exigência bem alto – ao menos para mim. Então vou acompanhar com cautela, aguardando o amadurecimento e esperando, de verdade, que tenhamos uma nova autora com nível Austen. A literatura contemporânea merece, sim, mas ainda não é o resultado que encontramos.

Postado em: Resenhas
Tags: , ,

1 Comentário em “Resenha – O Duque e eu”


Avatar
Isabela em 06.09.2015 às 08:31 Responder

Oiiiii, nossa eu também sou super fã de Jane Austin, eu fico louca atras dos livros dela para poder ler, já li dois, Razoes e Sentimentos e o que eu mais amo Orgulho e Preconceito! Não conhecia esse, e fico muito feliz em ter achado esse blog sobre ela, com certeza eu vou comprar esse livro, e vou ler muito *-* Obrigada, amei o pequeno resumo!


 

Comentar