Resenha – O enigma do oito
por Patricia
em 07/10/13

Nota:

O enigma do oito

Esse é um livro difícil de resumir. Envolve vários componentes e pode soar um tanto quanto confuso se eu tentar resumir demais. Mas vou fazer o melhor possível. Tudo começa na Revolução Francesa, em 1790, e somos apresentados à Abadia de Montglane no interior do país. A abadessa convoca as 50 freiras que vivem ali e, nervosa, explica as mudanças que o país enfrenta e como isso as afeta. Acontece que o Bispo de Autun está confiscando todas as propriedades da Igreja e o cerco está se fechando na abadia.

A abadessa recebeu de sua predecessora a missão de guardar um segredo: a localização do lendário Xadrez de Montglane que pertenceu a ninguém menos que Carlos Magno. Acredita-se que o jogo de Xadrez tenha poderes ocultos e toda vez que ele apareceu na História, alguma coisa deu errado para alguém. A abadessa acredita que o Bispo de Autun descobriu o segredo: o jogo está enterrado em Montglane. Por isso, ela chama as freiras e coloca em ação um plano: cada freira vai deixar a abadia e vai para um lugar diferente. Algumas levarão uma peça do jogo. Outras, irão sem nada. A abadessa acredita que, dispersando o jogo pelos quatro cantos do mundo, ele estará a salvo do Bispo e da natureza destrutiva do ser humano.

Valentine e Mireille são primas e moravam na abadia. Elas ficam encarregadas de uma peça e devem viajar para Paris. Lá, as moças de 16 anos vão conhecer a vida agitada da capital e conhecerão pessoalmente ninguém menos que…som de suspense… o Sr. Bispo de Autun. Choque!

A história pula alguns séculos (2, para ser exata) e somos apresentados a Catherine Velis – uma bem sucedida jovem estrategista que acaba de irritar o chefe e, de pirraça, ele a aloca em um projeto na Argélia que deve durar um ano, no mínimo. Ela tem amigos na alta sociedade com suas excentricidades. Um deles tem uma filha de sua idade – Lily – que é especialista em xadrez – de fato, ela é a primeira do ranking feminino.  Cat não gosta de Lily.

Quando vão juntas assistir um clássico do xadrez (ai, gente, deve existir) elas percebem que tem algo muito estranho acontecendo. E vou parar por aqui porque qualquer coisa que eu conte mais além pode ser um spoiler de leve.

Festival-de-xadrez-post

O livro vai e volta no tempo e acompanhamos as três meninas: Valentine, Mireille e Cat – cada uma a sua maneira – lidar com os acontecimentos. Neville consegue unir em um único livro: KGB; Carlos Magno; freiras; Catarina, a Grande; Revolução Francesa; Richelieu; a polícia secreta da Argélia; vingança; amantes; virgens; Rousseau; Napoleão e até Voltaire aparece por aqui e ainda tem mais. É impressionante a maneira como ela vai ligando todos esses componentes.

A leitura demorou um pouco para decolar. Mas depois da página 100 – mais ou menos – a leitura já vira viciante. Em um Domingo tedioso li quase 200 páginas sem nem sentir. Algumas passagens são sim um pouco arrastadas porque a mesma história é contada de vários pontos de vistas diferentes e, muitas vezes, pouco é acrescentado. Então o leitor pode ficar com aquela sensação de “estou lendo isso de novo?”

Muito do que vi nesse livro – publicado em 88- me recordou a maneira como os livros do Dan Brown são escritos. Principalmente pelo componente histórico que dispara a aventura toda. E, numa comparação um pouco superficial, acho que Neville tem mais estilo que Brown (não atirem, é apenas uma opinião). Ela desenvolve a história com mais profundidade e envolve muito mais elementos fazendo que ninguém consiga adivinhar o que vai acontecer até ela estar pronta para nos dizer.

Eu realmente acho que o livro poderia ter menos páginas (são 650 mais ou menos) já que muito da história é repetitiva. Mas mesmo assim, é uma leitura divertida. Pode ser um pouco confuso em alguns momentos, mas no geral, é um livro que entretém e garante algumas horas de diversão enquanto tentamos descobrir o que está acontecendo que envolve esse povo todo. O final não é exatamente chocante mas fecha bem o enredo.

No mais, acho que vale a leitura mas não espere uma obra prima do suspense. Adeque as expectativas e se jogue.

Postado em: Resenhas
Tags: , , ,

Nenhum comentário em “Resenha – O enigma do oito”


 

Comentar