Resenha – O gigante enterrado
por Thiago
em 18/11/15

Nota:

gigante enterrado

 

Um livro difícil de resenhar e de ler também, mas não estou dizendo que é ruim, apenas estranho. O primeiro livro de fantasia escrito pelo japonês que se mudou para Inglaterra ainda criança, Kazuo Ishiguro, é diferente de qualquer outro livro de fantasia medieval em um cenário mais “ocidental”.

Em primeiro lugar quero falar da beleza da edição, a capa, as páginas, as bordas, a diagramação. Tudo incrivelmente bem acabado. Quando o livro chegou aqui em casa pelo correio, enviado pela Companhia das Letras, foi algo lindo de abrir.

O segundo ponto ao qual quero me ater é a literatura de fantasia medieval. Por muito tempo foi considerada uma literatura menor e, na atualidade, é conhecida por ser o gênero preferido para muitos títulos infanto juvenis ou young adults (YA) e tem por característica não ter muita profundidade, condizendo com seu público alvo. Porém, aqui temos algo diferente. Não espere algo bobo e simples, a profundidade deste livro é de se afundar. O livro é denso, bem denso.

Ishiguro é conhecido por obras como “Resíduos do dia” e “Não me abandone jamais”, ambas adaptadas  para o cinema (são ótimos filmes por sinal). Essa são histórias com outra pegada, algo mais próximo das relações humanas, mas nada de fantasia.

O tema que permeia a história é a memória e nossa relação com ela. A difícil relação com o que já passou. Para essa reflexão acompanhamos um fofo casal de velhinhos, Axl e Beatrice, que partem em uma jornada da comunidade em que vivem para reencontrar o filho. Mas uma névoa, como uma maldição, complica aquelas terras, deixando o casal e os demais personagens confusos em relação aos acontecimentos passados.

Assim, amor, memória e o envelhecer se misturam a referências de diversas obras de fantasia medieval. Temos elementos que remontam a Brumas de Avalon, ao mundo de Tolkien, a Dom Quixote, mitologia nórdica e filosofia, muita filosofia. Podemos perceber elementos de Platão a Kierkegaard, passando por Aristóteles, Marx, Heidegger, Nitch e Joseph Campbell.

Não apenas os personagens com seus trejeitos são extremamente bem trabalhados, seja os principais, secundários ou as lembranças que se tem e são contadas sobre alguém, mas a construção do cenário e do mundo medieval católico. Sim, temos ogros, dragões e Jesus.

Enfim, um livro que e fez pensar sobre muitas coisas, principalmente sobre o amor e companheirismo. Axl e Beatrice é o melhor casal do ano pra mim.

Boa leitura a todos!!

 

***

O livro foi enviado pela editora. 

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