Resenha – O Homem do Castelo Alto
por Gabriel
em 15/07/12

Nota:

O Homem do Castelo Alto

Philip K. Dick é um dos mais respeitados autores de ficção científica do mundo. Autor de diversos sucessos, seu principal trunfo é Blade Runner, livro que foi base para o famoso longa-metragem.

Foi com esta expectativa que comecei a desbravar O Homem do Castelo Alto. Nesta obra, Dick se propõe a pensar como seria o mundo se a Alemanha tivesse vencido a Segunda Guerra Mundial. Uma ideia, a princípio, fascinante (como tema de ficção, claro). Nas mãos de alguém que se especializou em desenhar cenários futuristas, prometia muito.

E o livro realmente entrega boa parte do que promete. O universo alternativo imaginado pelo autor é plausível, e mesmo  pequenos detalhes, como a ausência de televisores nas casas, mostram o quanto a cultura da sociedade seria diferente com um outro “império” por trás. A atuação em geral do Japão e da Itália, ambos vencedores ao lado da Alemanha, também é coerente com a posição que os dois países tinham adotado na guerra. É, portanto, um bom exercício do ponto de vista geopolítico e talvez de análise da sociedade.

Mas o foco do livro não é esse. Tomando essas coisas como pano de fundo, Dick se propõe a contar uma estória, sobre a qual não entrarei em detalhes. O importante a se dizer é que a princípio é uma boa estória, mas ao final parece uma estória que não termina. O autor nos traz o que seria o início de alguma coisa, de alguma mudança na sociedade descrita, mas não nos entrega o suficiente disso para realmente sabermos o que acontecerá depois. Outro grande problema da obra vem das divagações do autor em torno do I Ching, famoso livro de pensamentos chinês que permeia toda a história. Por vezes participando apenas como coadjuvante, há partes em que a importância do I Ching, e divagações dos personagens a respeito dele, tomam páginas e páginas. Não parece ser o que procura um leitor de um livro de ficção científica sobre a Segunda Guerra Mundial.

Resumindo, o livro não te deixa com sensação de tempo perdido; o exercício sobre o tempo alternativo é interessante e merece ser feito se você se interessa pelo tema. Mas fiquei com a sensação de que o tema poderia ter sido melhor explorado, de que esta não foi a melhor forma de abordá-lo.

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5 Comentários em “Resenha – O Homem do Castelo Alto”


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Rafael Oliveira em 18.07.2012 às 18:16 Responder

Sempre me perguntei como seria o mundo hoje se a Alemanha tivesse vencido a guerra e não ter televisores nas casas não estava nas minhas “previsões” (talvez eu precise estudar mais história). Procurarei saber mais sobre esse livro e, se a trama me interessar, tentarei lê-lo.

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Gabriel (Trovão) em 18.07.2012 às 18:24 Responder

Esse foi o detalhe que eu “escolhi” pra comentar ali, na hora. Mas tem outros, por exemplo a evolução muito maior da tecnologia de foguetes (que eles dominavam), levando o pessoal a fazer viagens interplanetárias, ter foguetes fazendo trajetos que hoje são de avião, coisas do tipo… vale a pena, se o assunto interessar.

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Paula Rodrigues em 10.02.2016 às 17:25 Responder

Eu me decepcionei muito com o livro. Eu não sei o motivo. Talvez eu tenha criado muita expectativa sobre o livro, ou, por ser formada em História, acredito que se tradando de História não existe “e se”. O autor tinha uma ideia genial, mas acho que ele foi se perdendo. Apesar de perceber que as ligações, ainda que sutis entre os personagens, acho que em algum momento essas ligações ficariam estreitas. Que algo aconteceria com O Homem do Castelo Alto. Ou que Alemãs e Japoneses começariam outra guerra. Não sei, esperei o livro todo por algo que tirasse o folego, mas não. Acho que a história ficou muito vaga. É… acho que criei muitas expectativas. Desabafo!

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Gabriel em 11.02.2016 às 08:05 Responder

Oi Paula,

Obrigado pelo seu comentário. Para ser sincero também me decepcionei bastante na época, talvez pela fama do autor e pelo mundo de possibilidades que o assunto traz. Mas o autor escolhe um lado da possível história e se concentra nele (feliz ou infelizmente). Hoje em dia eu vejo de forma diferente toda aquela história sobre objetos comuns se tornando itens de colecionador (acho bem interessante essa perspectiva), mas ainda assim concordo com você: o leitor espera uma reviravolta, algum gancho, e ele nunca chega.

Abraços!

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Antonio em 13.10.2019 às 19:46 Responder

Estou vendo o seriado. Não vou ler o livro. Gostaria que alguém que tenha feito as duas coisas que me tire uma curiosidade: o quando são diferentes? a Amazon se afastou demais do original??


 

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