Resenha – O homem que calculava
por Patricia
em 20/05/13

Nota:

n8

Tenho com a matemática um relacionamento de amor e ódio. Quando eu conseguia fazer os exercícios eu me achava o próprio Einstein e o mundo era todo tapado. Quando eu não conseguia, minha cabeça ficava gritando que essa coisa de misturar letras e números não tinha mesmo como fazer sentido.

Então terminei o colégio e escolhi uma formação totalmente em humanas. E, assim, meu contato com essa ciência estranha e ingrata se resumiu a fazer contas de salário X o que eu gasto e como podem existir números tão negativos.

Mas Malba Tahan me fez repensar muita coisa e derrubar muitos dos meus preconceitos com a matemática.

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O homem que calculava trata de Beremiz Samir – um calculista brilhante – e suas aventuras pelo Oriente Médio. Ele e nosso narrador se conhecem durante uma viagem e passam a viajar juntos pelo deserto. Ali, encontram aventuras onde o cérebro do calculista será posto à prova diversas vezes e colher os frutos de ser tão inteligente e criativo na resolução de conflitos númericos, por assim dizer.

Cada capítulo nos apresenta uma nova aventura e, com ela, um novo problema matemático que Beremiz resolve de maneira surpreendente e até divertida. Confesso que muitas vezes fiquei pensando na resolução simples que ele deu para alguns problemas e a maneira quase poética da explicação de Tahan. Ele consegue romancear os números e deixar o leitor não só com a sensação de que está realmente entendendo o problema como também aprendendo coisas totalmente novas (ainda que não sejam).

Eu tive bons professores de matemática mas nenhum conseguiu me explicar a base das coisas tão bem quanto Tahan o faz nesse livro – quanto mais eu lia, mais ficava claro que a didática do professor faz muita diferença na transferência de conhecimento.

Um dos leitores comentou que o ideal seria ler um capítulo por vez do livro para poder absorver melhor tudo o que está ali. E faz todo sentido. Ler aos poucos ajuda até na concentração para entender as explicações que Tahan coloca para cada resposta.

Enquanto eu lia o livro, eu senti perfeitamente a influência de As mil e uma noite (que é um livro fantástico também). O nível de detalhes da cultura oriental me deixou realmente impressionada – a forma de escrever também carrega toda a poesia que é possível encontrar em As mil e uma noites. E fiquei mais impressionada ainda quando descobri que Malba Tahan é, na verdade, o pseudônimo de Júlio César de Mello e Souza – um brasileiro!

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Em sua época ele fez tanto sucesso que o então Presidente Getúlio Vargas permitiu que ele usasse Malba Tahan em seus documentos nacionais.

Ler esse livro é uma aula dupla: você aprende matemática e, de quebra, ainda conhece um pouco mais sobre a história dessa ciência, os grandes nomes por trás dela e aprende muito sobre a cultura do meio oriente. É muito bem amarrado e excelentemente (?) bem escrito.

No final da minha edição, ainda temos uma lista de pensamentos de grandes nomes sobre a matemática e explicações mais detalhadas sobre cada problema. Acho que esse livro é uma boa ferramenta para, talvez, fazer jovens estudantes se interessarem mais pelos números e fórmulas e coisas que parecem não faz sentido mas que, claramente, são parte de tudo.

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3 Comentários em “Resenha – O homem que calculava”


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maria júlia em 07.09.2013 às 13:38 Responder

Este livro é uma das obras mais interessantes que já li.
Pessoas que gostam de ler assuntos parecidos com o de este livro vão adorar assim como EU.
Recomendo para todos que tem o hábito de ler,e quem não tem passar a ter para ver o quando é bom pisicológicamente

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Paty em 07.09.2013 às 15:25 Responder

Concordo com tudo. Esse livro abriu minha cabeça para algumas coisas. =D
Já peguei um livro de contos dele para ler também de tanto que gostei desse. Hihihii

Bjos.

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Davi Bee em 05.06.2015 às 14:42 Responder

Eu ainda estou na metade, mas já gostei muito do livro. Sua temática abrange não só a matemática mas alguma parte da cultura Árabe personificada em Beremir, o protagonista. Parabéns ao autor que se superou com essa obra.

Pilões-PB


 

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