Resenha – O Império das Formigas – vol. 2
por Patricia
em 22/04/12

Nota:

Vol.2 – O dia das Formigas (CONTÉM SPOILERS – Se vc não leu o primeiro livro, não leia esta resenha)

E vamos lá de novo.

Depois da resenha do primeiro livro, comecei o segundo muito interessada no que iria encontrar. E não me decepcionei. A “estranheza” que senti lendo o primeiro volume, sumiu aos poucos quando a história do segundo volume começou a se desenvolver.

A história segue assassinatos de cientistas que trabalhavam em um projeto secreto. Eles simplesmente começam a morrer de uma maneira misteriosa e muito complicada para o detetive Méliès compreender.

Esse volume segue a mesma linha do primeiro, intercalando as histórias dos humanos com a das formigas e com trechos do 2o volume da Enciclopédia dos saberes relativo e absoluto.

No entanto, nesse volume o autor se aprofunda em um tema interessante: a forma como os humanos usam seu “poder” sobre as demais espécies e como ele é visto por essas espécies. Claro, não pensamos no que elas sentem e nem parecemos nos importar SE elas sentem ou o que nossas ações causam para as comunidades animais.

O autor nos faz refletir sobre isso de uma maneira metafórica que explica o papel da religião na vida dos homens e seus impactos, muita vezes terríveis.

No primeiro volume, soubemos que 18 pessoas estavam presas sob a terra e dependiam das formigas para se alimentarem. Uma situação fantasiosa, claro. A nova rainha, porém, decide que não deve ter nenhum tipo de parceria com os humanos – que chamam de Dedos.

No entanto, o integrante mais novo do grupo de humanos decide se utilizar de uma estratégia para forçar as formigas a continuarem a alimentá-los. Ele explica que os Dedos são os Deuses das formigas e de todo o reino animal e que é um dever delas cuidar deles. Imediatamente, algumas formigas criam um grupo rebelde que acredita que os Dedos são Deuses e, desobedecendo as ordens da Rainha, continuam a alimentá-los.

Aqui, começa a parte filosófica do livro. Basicamente, o autor nos mostra como a religião muda a forma como encaramos todos os aspectos de nossas vidas, inclusive a autoridade. Como passamos a questionar questões que não eram questionadas antes e as ramificações que isso pode ter. Esse grupo de formigas é visto como rebelde e recebe a sentença de morte da Rainha. Mas nem isso os impede de continuar a lutar pelos seus Deuses.

Além disso, o menino que se coloca como Deus diz que “Os humanos precisam ser alimentados para sobreviverem”. Ou seja, os Deuses precisam ser alimentados para sobreviverem. Aqui a interpretação de cada um é crucial. Aqueles que têm fé, vão defender que é por isso que se reza, por isso que se vai à Igreja e por isso que a Bíblia é uma importante fonte de conhecimento. Aqueles que não têm fé, podem argumentar que essa é a pura racionalização da religião que explica que esse conceito foi, de fato, criado pelos homens e, em última instância, serve para controlar as vontades, ações e pensamentos das pessoas.

A história continua quando a Rainha decide criar um grupo de elite para começar uma cruzada contra os Dedos. Ela quer todos os Dedos mortos pois eles só destroem o ambiente dos demais animais para ganho próprio e isso é simplesmente inaceitável.

Durante a cruzada (o que também pode ser diretamente ligado à religião e a forma como a maioria tenta destruir a minoria), as formigas encontram diversas espécies que, ao final, decidem ajudá-las a acabar com todos os Dedos. Basicamente, os humanos são odiados por todas as espécies de insetos e eles estão decididos a unir forças para acabar com essa “ameaça”.

Enquanto isso, mais cientistas morrem de maneira misteriosa.

A formiga principal – presente também no primeiro volume – ainda está indecisa sobre os humanos e segue como líder da Cruzada contra os dedos mas acaba se separando do grupo. (Isso depois de muitos ataques e contra ataques acontecerem). E ela encontra um grupo de baratas que vivem em um lixão na cidade.

E, surpresa, quando ela menciona que os humanos são Deuses, as baratas se divertem com a idéia. Isso porque, para as baratas, os humanos são…prepare-se….escravos. Isso mesmo. Elas vêem os humanos como seus escravos. E aqui, mais uma vez a idéia de religião é colocada em cheque. Será mesmo que ser Deus ou escravo é apenas uma questão de perspectiva? Será que um Deus que deve ouvir e ajudar os humanos o tempo todo, se torna escravo de sua posição? Será que a religião é uma criação humana usada para escravizar outros humanos?

Apesar do debate filosófico que me encanta, quando o livro chega ao final, fico desencantada. Os assassinatos são resolvidos, claro. Mas o final acaba sendo extremamente fantasioso, assim como, a forma como se investiga os assassinatos. Creio que esse é o principal defeito do autor. Ele não é um ótimo finalizador de histórias o que se torna crucial quando se tem um terceiro volume. Além disso, em muitos momentos a história se arrasta e se torna um pouco….chata.

De qualquer maneira, o segundo volume definitivamente eleva o nível exigindo um debate filosófico de cada leitor consigo mesmo. Para quem gosta (e se diverte) pensando nisso, o segundo volume da trilogia vale a pena e é muito muito melhor que o primeiro.

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