Resenha – O punhal
por Thiago
em 30/11/16

Nota:

 

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Uma coisa que sempre me incomodou em nós, leitores brasileiros, é nossa admiração para o que vem de fora, menos se for da América Latina (com raras exceções). Assim, quando a nossa parceira, a editora Globo, nos ofereceu o romance do jornalista e escritor argentino Jorge Fernández Díaz, foi minha escolha imediata.

Díaz fez sua carreira como jornalista e escritor na Argentina. Entre suas obras encontramos crônicas, contos e romances, neste último quesito vale destacar “Mamá, una história íntima”, sua obra mais aclamada e que quero muito ler. Entretanto o livro resenhado hoje é o único traduzido e lançado no Brasil.

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“O punhal” é de 2014 e une dois temas que Fernández traz em suas obras: a política e o amor. A editora Globo, aproveitando o sucesso de Narcos (pela Netflix) com o público brasileiro, nos trouxe mais uma história sobre narcotráfico (segunda rolou outra resenha sobre o assunto, com Notícias De Um Sequestro, de Gabo). Entretanto, o livro de Díaz nos apresenta um cenário que não estamos tão acostumados: a política argentina.

Temos em mãos um romance policial duro, violento e que sustenta o suspense necessário ao gênero. A obra é narrada por “Remil”, seja lá qual for seu verdadeiro nome (leia e entenderá), um agente da força de inteligencia da argentina que é designado em uma missão de infiltração, onde deve investigar Núria, uma advogada espanhola. Para isso se passa por segurança da personagem, que é ex amante de um chefão no narcotráfico – aqui os clichês começam a pipocar nas páginas. Remil se apaixona pela mulher que investiga, daí temos sexo, drogas e muita milonga.

A quadrilha de narcotráfico parece sair de um daqueles filmes mais novos do Van Damme de tão clichê e isso me incomodou, mas me incomodou muito, pois o suspense cai significativamente nestas partes. O ponto forte aqui é a relação do estado com o crime, o narcotráfico e a corrupção do estado.

Por muitas vezes me lembrei de algumas notícias e “boatos” da política brasileira. Pelo que li neste romance creio que na Argentina não seja diferente e Jorge Fernández corajosamente trasporta esta realidade corrupta para as páginas de um roimaginamance.

Confesso que a trama e a ideia são boas, mas escorregam feio no lugar comum. Talvez seja gosto, mas prefiro personagens cinzas e com mais profundidade, aqui a escuridão na bandidagem é rasa e explicita. O romance presente no livro é óbvio demais, desde a sinopse até o desenrolar da história. Queria ter gostado mais do livro, pois me pegou no início, mas depois fui perdendo o interesse.

Para uma despretensiosa leitura, vale a pena. Quero ler mais livros do autor pra tirar esta impressão meia boca de um livro que tinha tudo pra me agradar, mas se rendeu ao óbvio.

Boa leitura a todos!!

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O livro foi enviado pela editora. 

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