Resenha – Oito do Sete
por Juliana Costa Cunha
em 20/05/21

Nota:

Temos aqui quatro personagens – Magda, Gloria, Serafim e Roma. Roma é a cidade mesmo. Sim ela é uma personagem. E eu achei massa como ela insere essa personagem na última parte do livro. Personagem esta que tem uma história antiga e arraigada, que tem todas as referências de religiosidade e costumes de uma época e que se personificam até os dias de hoje. E é dessa forma que Roma se apresenta, aquela que tem em suas pedras, ruas e vielas histórias de vários tempos e épocas. Dessa forma, ao mesmo tempo em que se apresenta cosmopolita, carrega em si a cultura e os costumes de uma sociedade. É como se ao fim de tudo a autora nos perguntasse, como romper com tudo isso?

Magda e Gloria são um casal que narra sua história a partir do fim. Cada qual com seu ponto de vista sobre uma história vivida. Magda faz referência a preconceitos vivenciados na infância e na adolescência, como ser mulher e gostar de moto. E ela nos narra sua fuga dessa normalidade heteronormativa. Gloria nos faz ter uma leitura mais líricas e reflexivas. Ao mesmo tempo em que é mais explosão e dada às mudanças de comportamento e experimentações.

Serafim é um anjo. E nós sabemos que é um anjo da mais alta hierarquia celestial na mitologia. Ele chega à história pra questionar as imagens que fazem dele e a aparência que lhe é atribuída. E na sua narrativa vai comparando sua ausência de sentimentos à sua ausência dos órgãos humanos nos quais comumente associamos amor, raiva, compaixão… Além do fato dos anjos não terem sexo e ele brincar com isso o tempo todo. E aí é muito bacana o que a autora faz. Coloca no colo do corpo social, o celestial e a discussão de gênero.

Oito do sete não é livro de lugar comum. Desde seu título que, apesar de ser uma data e bem demarcada no livro, dá margem pra divagar sobre ele. Ao menos foi o que ocorreu comigo depois que terminei a leitura. O número oito é comumente associado ao símbolo do infinito. Portanto, as histórias não acabariam em si mesmas e nem as pessoas seriam as mesmas sempre. O sete é considerado o número da perfeição por aquelas pessoas que têm a bíblia como referência do sagrado. E dessa forma nos deparamos com esta dualidade tão bem narrada no livro. Cristina Judar não facilita pra gente. Ou você se entrega à sua proposta, ou a coisa não flui. Comigo fluiu lindamente.

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