Resenha – Os blues que não dançamos
por Juliana Costa Cunha
em 09/09/20

Nota:

Franck Santos nos brinda com uma seleção musical e literária de qualidade em seu livro Os blues que não dançamos. Ao longo das duas partes de seu livro – Antes e Depois e mais o Epílogo, nos deparamos com citações a autoras e autores de renome, como Clarice Lispector e Cortázar. E com uma seleção musical, tendo como diva máxima Nina Simone, que, aliás, me fez querer fazer uma play list depois que terminei de ler a (não)história de Bento e Pedro.

Na primeira parte – antes – acompanhamos o monólogo de Bento. Ele que nos narra o encontro com Pedro através de uma rede social. É Bento quem nos lê os emails enviados por Pedro e quem também nos narra seu cotidiano e seus devaneios amorosos. A segunda parte, nos traz o monólogo de Pedro, porém lido por Bento. Ao longo de toda a história, Pedro é aquela pessoa que exite, mas não se concretiza. Por muitas vezes me perguntei se ele de fato existia ou seria fruto de delírios de Bento em função de sua solidão. Penso que a dança a que Franck nos convida é a da solidão. Ela é quase uma terceira personagem na história. Ela permeia a vida de Bento e de Pedro, individualmente e na (não)história dos dois.

Este é um romance homoafetivo. E o fato das suas personagens se conhecerem numa rede de relacionamentos traz a questão da solidão à tona. É um romance que também vai abordar a questão do envelhecimento da população gay e, de forma muito sutil, falar sobre o culto ao corpo e à juventude que essa comunidade vivencia. E também é um livro que vai tocar na questão da saúde dessa população – a mental e a física.

Todos esses temas são abordados no livro numa escrita poética e compassada como o universo da música. Nela, há capítulos maiores e outro menores e estes, por muitas vezes, podem ser considerados contos dentro da prosa poética pensada pelo autor.

Eu me emocionei muito lendo as páginas desse livro. Tive total empatia por Bento e sua dor. Por sua bebedeira, seus banhos de mar, copos quebrados e seu ritual de despedida de uma história de amor. Até ressurgir com ele em seu Epílogo. E eu agradeço o convite para a dança.

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Livro enviado pelo autor

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