Resenha – Os Bons Segredos
por Gabriel
em 07/12/15

Nota:

Os Bons Segredos

Vai chegando ao fim o ano de 2015, aquele em que me dediquei ao #LeiaMulheres. E as editoras parceiras aqui do Poderoso colaboraram com isso me forçando a escolher escritoras que não seriam escolhas óbvias para mim ao buscar a próxima leitura. É claro que isso me fez ler uma coisa ou outra que poderia ter dispensado, mas também tive a oportunidade de travar contato com coisas novas e agradáveis. Sarah Dessen é uma delas.

Os Bons Segredos veio a mim pela editora Seguinte, acompanhado de um material que destacava como Sarah Dessen é um fenômeno de vendas do segmento YA (jovens adultos). Interessado, mas com certo receio (não é um segmento que eu costumo ler), abri as primeiras páginas.

Sarah Dessen é uma especialista em personagens adolescentes lidando com perdas. Quase todas as suas obras tratam disso (segundo a Internet) e Os Bons Segredos não é diferente. A protagonista, Sydney, viveu a sua infância à sombra do irmão mais velho, Peyton. Essa dinâmica é quebrada quando Peyton comete uma série de pequenos delitos que culminam com o atropelamento de um garoto, David Ibarra. O garoto torna-se paraplégico, Peyton vai para a prisão e Sydney perde sua referência pessoal.

A obra se concentra na personagem principal e em suas relações pessoais, sem nunca se aprofundar muito em qualquer um dos outros personagens. Sydney é uma garota adolescente, com uma personalidade de garota adolescente; estão lá os pequenos preconceitos, a curiosidade sobre a vida e aquela certa ingenuidade temperada por pequenas prepotências. Enfim, alguém que está se descobrindo. A autora cria bem essa personalidade e é fácil para qualquer pessoa se identificar com as questões da protagonista.

A boa construção da personagem principal, aliada a uma premissa interessante (a prisão de um garoto de classe média-alta e o conflito que isso gera nas vidas de sua família) tornam a leitura de Os Bons Segredos extremamente cativante. Suas 400 páginas vão passando uma após a outra, sempre na expectativa do próximo acontecimento. O que decepciona, no entanto, é que Sarah conhece bem o seu público-alvo e sabe que não deve abordar questões muito complexas de forma direta ou mesmo questionar a boa e velha jornada do herói combinada a um final feliz. A grande verdade sobre Os Bons Segredos é que o roteiro nunca se desafia de verdade; as situações mais tensas se resolvem rapidamente e o anticlímax da história se desfaz sem muita dificuldade – a protagonista, aliás, parece não resolver quase nenhuma das situações, mas sim ser salva pelas resoluções que surgem do seu ambiente.

Os Bons Segredos é uma boa obra de seu gênero, mas acredito que a autora poderia ter sido mais agressiva. Apesar de ser uma obra para jovens adultos e talvez não poder trazer coisas como um final não tradicional ou grandes quebras no roteiro, Dessen poderia ser mais arrojada e desenvolver momentos que questionassem um pouco a certeza do leitor de que tudo se arranja ao final. Ao invés disso, o roteiro parece se questionar apenas por uma ou duas páginas antes de voltar à sua segurança e, assim, o leitor tem a segura impressão de que a personagem principal nunca está realmente correndo risco de que algo saia do controle.

Este é um livro que merece ser lido, que vale a pena; mas tende a ser apenas mais uma história, simples, com final feliz, no rol das milhares dessas histórias pelas quais passamos na vida.

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