Resenha – Os Homens que não Amavam as Mulheres
por Gabriel
em 12/04/14

Nota:

Os Homens que não Amavam as Mulheres

Os Homens que não Amavam as Mulheres é um livro sueco, o primeiro volume de uma trilogia chamada Millennium. O livro contém uma estória completa, que pode ser lida sem se preocupar com os outros dois volumes, e que deu origem a um longa metragem de mesmo nome, lançado em 2011.

No Brasil, é editado pela Companhia das Letras e conta com mais ou menos 500 páginas de uma prosa simples e ao mesmo tempo envolvente. A edição brasileira é básica, sem muitos enfeites, mas conta com uma arte de capa elaborada e que se relaciona ao tema do livro (mais especificamente, a um dos personagens).

A obra tem uma estrutura temporal, organizada em seções que se referem a períodos de tempo como 4 ou 5 meses e em capítulos que se referem a períodos como uma semana ou até mesmo dois dias. Muitas vezes, o personagem principal é trocado de um capítulo para outro e o leitor passa a acompanhar outro ponto de vista, ainda que sempre em terceira pessoa.

A estória na trilogia Millennium é uma trama complexa, com personagens bem construídos e diversas nuances a serem capturadas. A linha principal deste primeiro volume gira em torno do assassinato de uma mulher, cometido há décadas atrás. O jornalista Mikael Blomkvist, um dos personagens principais, é levado a investigar este assassinato em meio ao seu exílio forçado, que por sua vez foi provocado por uma reportagem bombástica que se provou errada. Em meio a seus fantasmas pessoais e sua vida sexual e afetiva no mínimo complexa, Blomkvist corre riscos, conhece tipos interessantes e desbrava a ilha da Suécia em que se passou o incidente. Neste tempo, conhece Lisbeth Salander, uma garota misteriosa com um passado nunca revelado. Lisbeth carrega trejeitos de uma menina de 15 anos gótica ou punk e uma capacidade investigativa fora do comum, que lhe rendeu empregos na área de segurança anteriormente. Juntos, os dois passam a seguir pistas já frias pela ação do tempo e tentar encontrar os pontos que ligam uma trama que, a princípio, parece totalmente solta.

O autor, que morreu logo após ter finalizado os livros da trilogia, era jornalista e ativista político. Por isso, a trama retrata com fidelidade a investigação e seus detalhes, envolvendo o leitor e mantendo a expectativa sempre alta. Seu lado político contribui para uma diversidade de personagens que inclui casais homossexuais, pessoas em arranjos afetivos alternativos à monogamia, bissexuais, sadomasoquistas e um componente de autonomia feminina que pontua a obra toda, com fortes personagens femininas contrastadas a um mundo realista, de homens nas posições de poder e preconceitos por todos os lados. Não chega a ser um libelo feminista (como alguns relatos pareciam sugerir), mas é aliviante passar pela obra e perceber o quanto Larsson conseguiu ser atual e escrever um romance que foge à linha de reprodução dos preconceitos correntes à qual muitos se sujeitam. Questões como tráfico de mulheres, o mercado do sexo e outras ilegalidades, sempre tratadas com muita seriedade, fecham o panorama. E são inseridas na estória sem atrapalhar o caminho de quem quer apenas uma boa ficção policial ou investigativa.

Este primeiro volume da série Millennium demonstra bem a origem de sua boa fama. É uma trama envolvente, que mantém o leitor preso e torna a leitura das 500 páginas uma atividade simples e extremamente divertida. Já perdi estações no metrô e já ignorei turbulências fortes em voos na companhia deste livro, e estou no momento totalmente entretido com o seu segundo volume. Recomendado a praticamente qualquer ser humano.

 

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