Resenha – Our Band Could Be Your Life: scenes from american indie underground 1981 – 1991
por Bruno Lisboa
em 19/06/15

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Quando o Nirvana, via o estrondoso Nervermind, em 1991 atingiu a ápice das paradas de sucesso muitos atribuíram, erroneamente, a trupe de Kurt Cobain o status de heróis do underground musical americano.

De fato, o sucesso do álbum fez com que muitas bandas independentes alcançassem o mainstream das paradas mundo afora, mas o que realmente aconteceu foi que uma década antes o caminho já havia sido desbravado por muitas outras bandas que de maneira surpreendente conquistaram a própria sobrevivência. Porém, para fazer justiça a chamada era de ouro do indie Michael Azerrad escreveu Our Band Could be your life.

Lançado em 2001 a obra, cujo título pega carona numa canção do essencial The Minutemen, cobre o que de relevante fora produzido entre 1981 a 1991 na terra do Tio Sam. Escrito de maneira passional, Azerrad analisa os primórdios da cena independente americana a partir da história de treze bandas (à saber: Mission of  Burma, The Minutemen, Black Flag, Husker Du, Minor Threat, The Replacements, Butthole Surfers, Sonic Youth, Big Black, Fugazi, Mudhoney, Beat Happening e Dinosaur Jr.)  que até hoje exercem influência extrema no que é produzido mundialmente.

A partir de uma vasta compilação de entrevistas dilacerantes por parte dos envolvidos temos acesso a toda uma bagatela de emoções dignas das melhores obras dramáticas dominadas por brigas homéricas, viagens em vãs desconfortáveis de cidade em cidade, frustações inúmeras, mortes e desejos irrefreáveis.

De maneira extensa, o autor ao longo de 500 páginas traça perfis sinceros e emocionantes dos verdadeiros pioneiros da seara indie, que lutaram bravamente em busca do seu próprio público, a própria voz e criaram regras que seriam seguidas anos mais tarde.  A título de exemplo os chamados “filhos da era Reagan”, em alusão a umas das eras mais temerárias da história local, buscaram maneiras driblar o desequilibro econômico e o desinteresse da indústria fonográfica da época. Engajados pela estética punk e o espírito DIY (Do it yourself ou faça você mesmo) grupos que tencionavam colocar nas ruas seus primeiros rebentos criaram selos próprios, como a SST de Greg Ginn do Black Flag.

De maneira extremamente competitiva as bandas disputavam cabeça a cabeça, de maneira saudável, quem seria a melhor banda da época ou faria o melhor disco. A tamanha competividade gerou clássicos como Zen Acarde (Husker Du), Daydream Nation (Sonic Youth), Double nickels on the dime (The Minutemen), Repeater (Fugazi) entre tantos outros discos dignos de nota máxima.

Passadas mais de duas décadas muitas destas bandas ficaram pelo caminho. Outras após longos anos de separação retomaram as atividades (para acabar novamente como é o caso recente do The Replacements), mas o legado deixado por esta década ainda faz barulho.

Infelizmente Our band could be your life segue inédito no Brasil, mas é leitura obrigatória tanto para quem busca conhecer a fundo as bandas homenageadas como também aprofundar ainda mais sobre a história da indústria musical e cultural da época.

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