Resenha – Pearl Jam Twenty
por Bruno Lisboa
em 22/05/15

Nota:

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Em 2010 a banda Pearl Jam, umas das prediletas deste que vos escreve, celebrou 20 anos de estrada e para comemorar tão importante data foram lançados no ano seguinte o documentário PJ20 e a primeira biografia oficial de mesmo nome. Porém, se o filme dirigido por Cameron Crowe peca pela falta de abrangência em sua segunda metade o livro não deixa a desejar.

Escrito por Jonathan Cohen o livro Pearl Jam Twenty é um autêntico guia para os aficionados pela  banda de Seattle. Por mais que geralmente biografias autorizadas ou autobiografias tendam ao mais do mesmo aqui a premissa não se fez valer felizmente.

Construído de maneira cronológica, a obra capta toda a essência de uma das bandas mais importantes da história da música americana. Partindo dos primórdios, quando o grupo ainda desconhecido e até então chamado Mookie Blaylock buscava espaço na prolífica e disputada cena local, Cohen condensa em forma de diário todas as realizações da banda. Porém, para ser mais do um mero registro wikipédico do que a trupe liderada por Eddie Vedder realizou durante duas décadas de bons serviços à música, entrevistas conduzidas por Cohen e com colaboração do próprio Crowe, autor também do prefácio, iluminam a trajetória de sucesso e respeito alcançados graças ao trabalho árduo e fiel as suas próprias convicções.

Sem concessões, a obra perpassa por desde os momentos luminosos (o estouro de vendas, a conquista de uma grande parcela da crítica e do público…) como também dá vazão aos dilemas vívidos pelo grupo como a homérica briga com a empresa ticketmaster pelo preço final dos ingressos, a superexposição midiática  e o incidente ocorrido em 2000 no festival Roskilde, no qual nove fãs foram mortos pisoteados e que quase culminou no fim da banda.

Paralela ao dia dia da banda, Cohen analisa criticamente todos os álbuns de estúdio da banda até então. O olhar minucioso e  abrangente do autor para com diversas faixas convida a revisitar a discografia do grupo fator este que resulta, na maioria dos casos, num novo olhar para com músicas desconhecidas.

Ao longo de suas 384 páginas é concedida ao leitor o livre acesso a inúmeras imagens de arquivo pessoal, em grande parte de apresentações, onde é possível observar o quão grande a banda se tornou, tocando de maneira inicial para pequenas plateias e hoje lotando estádios mundo afora.

Depoimentos de artistas do quilate de Neil Young (cantor que já gravou um álbum com banda) , Bruce Springsteen, Dave Ghrol, Pete Townshend, entre tantos outros, surgem de maneira esporádica e elogiosa ora abordando a qualidade musical ora abordando o ativismo político/social do grupo.

Como sintetiza Vedder em dado momento: “Nós fazemos música para nos satisfazer. Algo que não imaginávamos é que as pessoas fariam amizades, compartilhariam ideias e sua humanidade uns com os outros através da música. Eles se tornaram esposos, esposas e melhores amigos. Isso vai além de nós. Tudo o que fizemos foi tocar.”

Ainda inédito no Brasil, Pearl Jam Twenty é leitura obrigatória não só para os fãs de carteirinha da banda como também servirá de inspiração para aqueles que de alguma forma buscam acreditar que a partir da perseverança é possível alçar grandes objetivos.

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