Resenha – Pedro Páramo
por Patricia
em 11/03/13

Nota:

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Pedro Páramo chamou minha atenção quando li Viver para contar de Garcia Márquez. No livro, ele cita diversos outros autores que o estimularam e inspiraram. Juan Rulfo era um deles. De fato, na capa de Pedro Páramo lemos “A leitura profunda da obra de Juan Rulfo me deu, enfim, o caminho que buscava para continuar meus livros.” [Garcia Márquez]

Ao ler o livro, e como grande fã de Gabo, entendi perfeitamente como Rulfo serviu de influência na escrita do primeiro. Pedro Páramo é uma obra singular. Logo no início, Juan Preciado, no leito de morte da mãe ouve que seu último desejo é que ele busque conhecer seu pai – Pedro Páramo. Ele parte então para Comala para buscar seu pai e, finalmente, conhecê-lo.

O que ele encontra, no entanto, é uma cidade de memórias – não existe mais quase ninguém vivo e as histórias são susurros soltos no eco. Juan conhece pessoas que depois descobre que não estão vivas mas que ainda vagam pela cidade para pagar seus pecados. É assim que ele vai, aos poucos, conhecendo um pouco de sua história, mas quem mais aprende sobre ele é o leitor.

A estrutura do livro é algo diferente: passado e presente se misturam contando histórias de diversas pessoas ao mesmo tempo. Você só entende de quem ele está falando ou em que tempo essa parte do texto está quase no final. E não tem capítulos. Essas partes são divididas por espaços no texto e nada mais. O texto não é estruturado para facilitar nada para o leitor.

Ainda assim, a beleza da escrita de Rulfo e o surrealismo da história faz com que você sinta-se preso entre passado, futuro, vivos e mortos. É difícil de largar o livro e como ele tem apenas 140 páginas, a leitura é rápida ainda que seja intensa. É aqui que vemos, claramente, a influência de Rulfo em Gabo, por exemplo. Cem anos de solidão tem muito essa “pegada” surreal, misturando histórias e dando um nó lindo na cabeça do leitor de maneira que não nos resta nada a não ser abrir mão da razão e ler o livro com a mente aberta e o coração livre.

Essa é uma das grandes delícias da literatura latino americana. Esse é um traço de nossa cultura que faz com que nossos povos sobrevivam a tudo e sem nunca perder a poesia que nos está embutida na língua. Rulfo é um exemplo fantástico desse tipo de literatura que conta uma história agradável querendo dizer verdades pertinentes. O livro é uma alegoria para a história mexicana tão cheia de fantasmas quanto a cidade de Comala e poderia, facilmente, servir para toda a América Latina – como Cem anos de Solidão.

Amostra grátis: “Tornou a me dar boa-noite. E embora não houvesse crianças brincando, nem pombas, nem telhados azuis, senti que o povoado vivia. E que se eu escutava somento o silêncio era porque ainda não estava acostumado ao silêncio; talvez porque minha cabeça viesse cheia de ruídos e de vozes.”

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