Resenha – Pequeno Tratado das Grandes Virtudes
por Thiago
em 08/07/15

Nota:

ptdgv

Existem livros que sempre revisito, abro em uma página aleatória e leio, uso pra preparar aulas, pra consolar das mazelas da vida, esse aqui é um deles. Pequeno tradado das grandes virtudes do francês André Comte-Sponville.

Sponville é um importante pensador comtemoprâneo, ateu e comunista que aqui nos traz uma análise sobre as virtudes. Não entenda errado, não se trata de um livro de auto-ajuda, afinal, nem acredito que exista esse tipo de literatura. Já disse em alguma resenha passada, se utilizar do trabalho de outra pessoa pra superar uma barra, não tem nada de auto nisso, é se ajudar, simplesmente isso.

Temos em mãos um livro de ética, uma análise da moral, de nossos valores. Dividido em 18 capítulos/virtudes, o livro começa com um preâmbulo que nos traz a seguinte questão: “Para que um tratado das virtudes?”, a resposta que vem a seguir é bem reconfortante “para isto, talvez: tentar compreender o que deveríamos fazer, ou ser, ou viver e medir com isso, pelo menos intelectualmente, o caminho que daí nos separa.”

Então, não sei quanto a vocês, mas sempre, e ultimamente bem mais, penso muito sobre o que devo fazer, ser, viver, como agir. Enfim, qual a melhor ação a tomar em determinada situação, assim como qual a mais correta. Sem as virtudes a análise se torna vaga. Não digo no sentido de perseguir uma reta conduta como algumas religiões propõem, mas uma análise mesmo, um olhar pra dentro e se conhecer. Saber, mesmo que temporariamente, quais são seus valores e crenças

Vamos a lista das virtudes postas aos olhos de importantes filósofos: polidez, fidelidade, prudência, temperança, coragem, justiça, generosidade, compaixão, misericórdia, gratidão, humildade, simplicidade, tolerância, pureza, doçura, boa-fé, humor, amor. A lista é grande e boa.

Através dessa lista de virtudes ou em grego, areté, temos forças que agem, temos poderes.

A primeira virtude tratada, a polidez, é pelo autor como a origem de todas, mas também como a mais pobre, podendo ser vista mais como um valor que uma virtude. Como diz: “um canalha polido não é menos ignóbil que outro, talvez seja até mais”. Podemos levantar essa análise também através da questão proposta pelo autor: “um nazista polido em que altera o nazismo?”.

A décima oitava “virtude” é meu capítulo preferido, já o reli sei lá quantas vezes. É o amor, sponville nos diz que “o amor não se comanda e não poderia, em consequência, ser um dever”. Entretanto, como o autor mesmo mostra, virtude e dever não são sinônimos, mesmo que andem próximas. Dever é uma coerção, enquanto a virtude é uma liberdade. Assim, o amor é mostrado em suas diversas faces e como um bem maior, algo para além das virtudes. No preâmbulo o pensador propõe que a virtude pode ser ensinada, e claro, mais pelo exemplo que pelos livros.

O livro fica com 16 virtudes, entre a polidez e o amor. Um começo com algo de extrema importância, mas que não uma virtude e um fim com algo de extremo valor, maior que uma virtude.

Este é um livro para se ler e reler, sempre com calma. Um texto fácil e por isso mesmo profundo. O ler de coração aberto pode ser extremamente benéfico e fazer valer a máxima que se encontrava no antigo oráculo de Delphos, no templo do deus Apolo: “Conhece-te a ti mesmo”.

No mais é isso. Boa leitura a todos!!

sponville

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