Resenha – Pouso
por Juliana Costa Cunha
em 31/03/21

Eu soube desse livro em função do clube de leituras de poesia coordenado por Nathan, editor da Moinhos e do blog Literatura BR . Talvez já tenha olhado pra esse título anteriormente, mas ele não tenha me chamado atenção. Mas, como estou acompanhando o clube e eis que ele foi sugerido, lido por mim e me levou às lagrimas.

Antes de falar do livro de Ágnes, quero dizer o quanto os clubes de leituras têm sido importantes pra mim nesse momento de pandemia. Desde o ano passado adentrei neste universo e cada vez gosto mais. Tem sido meu lugar de encontro. De conhecer novas pessoas. De tomar uma cervejinha e afins, falando de livros e de muitas outras coisas. Portanto, se você que me lê ainda não pensou nessa possibilidade, deixo aqui essa dica. Tem muitos rolando e com os temas mais variados. É só tu encontrar o teu.

Agora, falemos de Pouso.

“QUERIA ESCREVER UM POEMA
COM A PALAVRA “CHEGANÇA”
aí te vi no meio da escada
me olhando e dizendo:
tava te procurando
e a chegança e o poema eram tu.”

Foi assim, feito uma chegança, que Pouso se apresentou pra mim. Um livro que me trouxe pertencimento. Eu não sabia que a autora era pernambucana (tenho essa mania de ler os livros sem saber muito sobre eles) e foi no encontro com o biliro, com as ruas, o centro do Recife, a casa (ou as ruínas dela) de Clarice Lispector, a Praça Maciel Pinheiro e seus moradores, o tu na escrita dos versos, a ciranda no Pátio de São Pedro que eu fui buscar a certeza que esteva lendo os versos de alguém da terrinha. Do meu país, Pernambuco.

Como eu disse no encontro do Literatura BR, se fosse só por esse encontro já teria sido lindo. Mas, os poemas de Pouso tem muito mais. Tem intensidade e coloquialismo. Tem uma escrita sem muita preocupação com estrofes e uma poesia mais simétrica. Tem um tom confessional, mas que se dispõe ao coletivo. E tem uns finais que destroem a lógica narrada, pegando você de surpresa e colocando sorriso no rosto.

A capa e o título do livro são intrigantes e instigantes, que vão se descortinando à medida que lemos os poemas. Pouso não é um lugar tranquilo, né? Exige muito da gente. Nos voos é o momento mais crítico (aprendi isso no encontro). E quem pousa, possivelmente mergulha em outras realidades.

“… mas descobri dia desses

que mergulho nada tem a ver

com altura

e sim com medo de altura e sua

fase intermediária

em que se pula de olhos fechados

sem imaginar a força da água”

Eu convido vocês a mergulhar nesse Pouso.

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