Resenha – Projeto nacional: o dever da esperança
por Bruno Lisboa
em 28/09/20

Nota:

Em que ano a política ganhou relevância para você? Acredito que esta pergunta possa levar a uma série de reflexões, principalmente no que tange as suas mais variadas facetas, mas acredito que para mim os últimos 4 anos tem sido de pura imersão nesta temática.

Como vocês podem acompanhar por aqui minhas resenhas migraram drasticamente do universo da ficção e das biografias (geralmente musicais) para um estudo mais aprofundado da política e suas mais variadas facetas e direcionamentos.

Mas qual o motivo desta escolha? É difícil dizer em poucas palavras, mas antes de mais nada preciso afirmar que acredito que a sociedade precisa de mudanças estruturais, em diversos segmentos, para que possamos criar um novo cenário o mesmo perpassa pela política. Porém, não compreender a este universo, o seu papel de transformação e direcionamento na vida das pessoas pode nos levar a ruína. Para tanto resolvi aprofundar em leituras que oferecessem reflexões e orientações que pudessem fazer com que toda complexidade que reside na política fosse, aos poucos, sendo desmitificada.

Bom, então chegamos nas eleições de 2018 que, acabaram por eleger no Brasil o inominável, e a mesma foi de fato marcante para este que vos escreve devido a completa imersão no processo da mesma.

A título de exemplo nunca tinha parado para ler programas de governo presidenciais e, para minha total surpresa, naquele ano optei por dedicar-me a conhecer a fundo os candidatos e as pretensões governamentais, fato este que me era até então inédito. E para o primeiro momento (leia-se primeiro turno) optei por votar em Ciro Gomes, por acreditar que o seu plano era, naquele momento, o mais aplicável e real a ser viabilizado dentro do cenário que nosso país enfrentava. Principalmente após o cenário de destruição com o impeachment da presidente Dilma e a desastrosa era Temer.

Pois bem, introduções feitas confesso que a curiosidade de ler Projeto nacional: o dever da esperança em muito se deu devido ao fato de acreditar que Ciro Gomes era, naquele momento, o candidato ideal que faria o Brasil retomar o seu protagonismo.

De fato a obra é uma imersão na mente do ex-candidato a presidência e funciona como uma extensão do seu plano de governo daquele ano. Tal como um caixeiro viajante, que circula pelo país a trabalho, Ciro (para apresentar as suas propostas e discussões) promove um retrospecto histórico do Brasil, partido da primeira era Vargas até os dias atuais, onde pontua erros e acertos orquestrados por governos anteriores para a partir daí traçar suas reflexões.

Se em outrora Ciro pecava pelo hermetismo em suas exposições, principalmente em entrevistas e obras anteriores a esta, neste livro ele procura desvencilhar desta imagem ao optar pela simplicidade ao abordar temas de natureza complexa, em especial os relacionados a economia, visando claramente um diálogo mais próximo com todas as esferas da sociedade, a qual tenciona estabelecer franco diálogo.

A partir de sua franqueza e inteligência habituais (marcas estas reconhecidas, inclusive, por seus adversários políticos) Gomes procura redesenhar não só o Brasil sob um olhar progressista, mas também a esquerda tradicional ao acreditar que a mesma deva, urgentemente, abandonar a malfadada linha neoliberal para voltar as suas raízes, ligadas a luta pela igualdade e em prol das minorias.

Ciro não é o candidato perfeito, pois tem apostado numa estratégia política que pode não dar certo: a de destruir ainda mais o imagem do PT, partido o qual critica de maneira contumaz, tanto no livro quanto em suas entrevistas recentes.

Não sou petista, mas acredito que uma frente ampla de esquerda (tão necessária para os dias atuais) não acontecerá sem o Partido dos Trabalhadores. E por mais que ele esteja certo em muitas de suas constatações, o momento agora e de “juntar os cacos” para tentar a construção do que ele chama no livro de “nova esquerda”.

Em tempos de polarização, em todos os sentidos, obras como Projeto nacional: o dever da esperança provam que há de haver esperança não só na classe política ou na ala estadista, mas é preciso pensar que o Brasil tem jeito, pois existem pessoas que diariamente estão comprometidas para um país melhor para todos. E Ciro é uma delas.

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