Resenha – Raça, Classe, Revolução
por Bruno Lisboa
em 10/02/21

Nota:

O partido dos Panteras Negras foi uma das maiores organizações políticas do século passado. Aliás tratá-lo como algo do passado é exercício dos mais difíceis já que a força e a ideologia imprensa pelo grupo deixaram um enorme legado que, até hoje, reverbera em nossas cultura.

O partido foi fundado pelos estudantes norte-americanos Bobby Seale e Huey P. Newton, entre o seu nascimento 1966 e o seu “fim” em 1982. Sua luta envolvia a luta diária contra o fascismo, o imperialismo, o racismo e o capitalismo tendo ideologias de esquerda ligadas ao marxismo-leninismo, o socialismo e o orgulho negro como bases. E para trazer à tona essa relevante trajetória temos o livro Raça, Classe, Revolução.

Lançada pela Autonomia Literária, a obra reúne uma série de artigos escritos pelos próprios membros do partido ao longo de sua existência. Os mesmos eram, até então, inéditos em língua portuguesa e, de forma geral, conseguem captar o ideário do grupo, que conseguiu fazer história, tornando-se um grande exemplo para lutas identitárias até hoje.

Outro grande acerto do livro é o fato de que, apesar das atenções estarem voltadas aos Panteras, outras manifestações político / sociais em prol da defesa das minorias que, por vezes, não tiveram a atenção midiática devida, aparecem nos textos. Este é o caso de grupos como a Coalisão Arco Íris, os Jovens Senhores, os Boinas Marrons, os Jovens Patriotas e movimentos dos povos asiáticos e indígenas nos EUA. Por mais que tivessem pautas aparentemente diferentes, os grupos trabalhavam juntos contra a opressão governamental e a supremacia branca.

A longa introdução escrita por Gabriel Landi e Jones Manoel, fazem um belo apanhado de um período onde era possível ver teoria e prática revolucionárias andarem juntas.

Os Panteras Negras foram um movimento de integração que deve ser de exemplo para as esquerdas mundiais que, atualmente, vêm a sua ideologia de bem estar social entrar em conflito não só contra o fascismo da extrema direita operante, mas se encontra perdida em si mesma, cedendo as armadilhas do liberalismo.

Então, se ainda resta alguma faísca de natureza revolucionária na sociedade o momento atual é por demais oportuno vide o recrudescimento do reacionarismo. Afinal, o tempo é imperativo para que ações sejam tomadas no agora. Este é um dos principais legados deixados pelos Panteras, que são mais atuais do que nunca.

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