Resenha – Rage Against the Machine: Guerreiros do palco
por Bruno Lisboa
em 05/07/16

Nota:

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A banda Rage Against the Machine carrega o pesado fardo de ser uma das últimas bandas politizadas que alcançaram as massas. Dona de uma exímia discografia, composta por três álbuns de estúdio (a saber: Rage Against the Machine, Evil Empire Battle of Los Angeles) mais um disco de covers (Renegades), a banda liderada pela dupla Zack de la Rocha e o guitarrista Tom Morello soube transformar o discurso de protesto em canções capazes de conscientizar e levantar plateias mundo afora.

Talvez por ser só um entusiasta da banda eu pouco conhecia da história pessoal de cada um dos integrantes como também desconhecia detalhes da carreira do grupo. E para buscar estas informações adquiri o livro Rage Against the Machine: guerreiros do palco.

Lançado pela Edições Ideal em 2012, a obra escrita por Paul Stenning tem como ponto inicial (e um grande acerto) traçar uma análise histórico da música de protesto, pontuando que a mesma viera desde a era dos escravos, passou pelo blues, a música folk, o rock e atingiu o seu ápice de popularidade com o punk (de bandas como os britânicos do The Clash) e o rap (de Grandmaster Flash e Afrika Bambaataa) nos anos 70/80. A mesma tinha como espelho e força motriz os movimentos sociais vigentes que mobilizaram milhões de pessoas em prol de lutas, como por exemplo, contra o racismo e a segregação.

Em seguida, a escrita do autor segue em alto nível ao abordar de modo minucioso a vida dos pais de Zack e Tom que, durante décadas, lutaram (cada um a sua maneira) contra as mazelas das sociedade, características estas que inspirariam seus rebentos a dar sequência. Porém se a premissa fora feita com maestria, o desenrolar da obra cai vertiginosamente em qualidade.

Se há algo que pouco sei do universo jornalístico é que deve-se usar com cautela, ou até mesmo evitar, as adjetivações excessivas. Afinal, o usufruto da mesma em demasia gera um texto que perde em profissionalismo, pois da vazão a um discurso sem profundidade. E infelizmente é este tom que domina boa parte da obra.

Tratando a banda como se a mesma tivesse “inventado a roda”, Stenning troca o discurso profissional em prol de um olhar de fã ardoroso que, aparentemente, recortou uma série de reportagens (elogiosas em sua maioria) no decorrer dos anos e decidiu dar cabo numa biografia.

Erroneamente, o autor trata cada passo dado pelo grupo como se o mesmo fosse o mais criativo e genial de todos os tempos. De fato é reconhecível que o Rage Against tenha a sua dada e merecida importância no cenário rock, mas a sonoridade da banda nada mais é que a junção de elementos da cultura hip hop com o heavy metal (já praticada anteriormente por bandas como os Beastie Boys, Anthrax e o Faith No More) e o endeusamento excessivo chega a ser irritante em muitas passagens.

Por mais que o livro cubra todas os anos de atividade da banda, o termino abrupto e os projetos pessoais subsequentes, até então a escolha por uma abordagem apaixonada faz com que o olhar racional para com o grupo fique de lado, deixando de um lado (ou tratando de maneira superficial) aquele que seria um dos maiores atrativos da obra : o contexto e a inspiração para cada umas das composições da banda.

Na falta de uma bibliografia decente (esta biografia é a única sobre a banda lançada no Brasil) Rage Against the Machine: guerreiros do palco pode servir como despertar, mas leitores mais exigentes podem procurar outra fonte.

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