Resenha – Ratos e homens
por Patricia
em 23/01/13

Nota:

RATOS_E_HOMENS_1304174850P

Ratos e Homens é a história de George e Lennie – dois caipiras buscando emprego em um país devastado pela Depressão. Isso mesmo, esse é mais um livro de Steinbeck que se passa nos Estados Unidos pós 1929. O autor que já nos presentou com As vinhas de Ira (que resultou em um lindíssimo filme, diga-se de passagem) agora traz mais uma história de como a Depressão assolou mais do que a economia como também a alma norte-americana.

George e Lennie são homens simples, não estudados e trabalham em fazendas com o que tiver disponível (lavando o chão, cuidando dos cavalos e etc). Lennie tem uma mentalidade de criança e George cuida dele e o leva consigo para buscar emprego e garantir que ele não se meta em encrencas. Não sabemos, no entanto, qual o tipo de relação que eles têm – se são primos, irmãos, amigos. Lennie é uma criança mas é alto e forte, trabalha por dois facilmente e só pensa em “agradar” o cachorrinho ou o rato morto que ele quer porque quer guardar no bolso. George é fisicamente o contrário mas pensa pelos dois. Eles se complementam em quase tudo. Um precisa do outro.

Ambos mantém vivo o sonho americano  de ter uma casa própria, um lugar em que possam viver da terra e criar seus animais. Lennie só pensa em criar seus coelhos e George em garantir que tudo isso aconteça. Quando tudo fica difícil, eles voltam sempre para esse sonho para manter a perspectiva.

O livro em si é prolixo. A leitura parece ficar enrolada em uma história em que quase nada acontece. Mas é justamente aí que está o enredo do livro: estamos falando de dois trabalhadores sem base, sem educação que só querem trabalhar e ficar longe de encrenca ainda que, muitas vezes, a encrenca os encontre. O que eles podem fazer a não ser viver a vida de acordo com suas necessidades? É improvável que um livro desses contenha diálogos extensos sobre suas condições e etc porque essa não é a intenção de George e Lennie…eles querem apenas trabalhar. Cabe ao leitor entender tudo o que não é dito no contexto.

Se tem uma coisa que incomoda na leitura, no entanto, é que os diálogos são todos em linguagem coloquial. Ouvir a linguagem é uma coisa mas ler realmente é algo que me incomoda por algum motivo obscuro. O título foi tirado de um poema de Robert Burns:

“Os projetos melhor elaborados,

sejam de ratos ou sejam de homens,

fracassam muitas vezes e nos fornecem só tristeza e sofrimento,

em vez do prêmio prometido.”

Como o título já apresenta, a história é sobre coragem e covardia e como cada pessoa pode acionar uma ou outra dependendo da situação e do que precisa ser feito. Além disso, a amizade entre eles é tão forte que, ao final, George acaba evitando que Lennie seja linchado de uma maneira sincera, apesar de triste. É uma boa e rápida leitura que nos mostra uma época em que o sonho americano dificilmente se tornaria realidade.

Postado em: Resenhas
Tags: , ,

3 Comentários em “Resenha – Ratos e homens”


Avatar
Marina em 13.02.2015 às 22:13 Responder

Existe tbm um filme, Ratos e Homens,dirigido por Gary Sinise. Você já assistiu? ainda não li o livro mas como achei o filme na internet pensei em assistir sem ter lido, claro que os filmes nunca são tão bons quanto os livros mas sabe se esse filme segue na íntegra o livro?

Avatar
Patricia em 14.02.2015 às 08:26 Responder

Marina, boa pergunta. Me falaram do filme, mas não assisti. Eu imagino que pelo menos a questão da linguagem seja mais fácil de digerir no filme do que foi no livro. 🙂 Se vc ver o filme, me conta depois se gostou. Abs.

Avatar
Marina em 15.02.2015 às 01:25 Responder

Assisti, gostei muito. NO filme revela eles não são primos, George prometeu a tia de Lennie cuidar dele. Tem a figura do rato e do cachorro e os coelhos várias vezes lembrados pelo Lennie, e sim o sonho de uma ”terrinha” com coelhos coloridos, galinhas e cachorros e um bom forno para o inverno são sonhados de forma tão real que eu já me imaginava lá rs. Recomendadíssimo. 🙂


 

Comentar