Resenha – Realismo capitalista
por Bruno Lisboa
em 24/06/21

Nota:

Natural de Leicester, Inglaterra, Mark Fisher foi um escritor, professor, filósofo, crítico e teórico cultural. Fisher faleceu em 2017, mas deixou um enorme legado através dos seus textos, que problematizam questões ligadas ao radicalismo político, a música e a cultura popular. Sua obra de maior popularidade é Realismo Capitalista, que ganhou belíssima edição, via Autonomia Literária, ano passado.

Lançado oficialmente em 2009, no livro Fisher faz um painel histórico do capitalismo, analisando o mundo, no olho do furação, após a crise no sistema imobiliário ocorrida em 2008, nos EUA, que expôs (mais uma vez) toda a tessitura do capitalismo, revelando suas fragilidades, e feridas, que afetam por afetar a vida das classes mais pobres. Outro ponto que ganha destaque na obra é analise da conjuntura Inglesa (onde residiu) e norte-americana nos anos 80. Ao criticar o Thatcherismo e o Reaganismo, o autor fala das origens do regime neoliberal e de como o mesmo ajudou a fomentar a realidade em que estamos, criando uma falsa premissa de que o capitalismo é, aparentemente, irrefreável e indestrutível, mesmo que muitos saibam sobre dos males deste sistema econômico.

Por mais que Fisher tenha sido um acadêmico de formação, sua escrita é didática. Para tanto, usa de elementos da cultura pop como filmes (Filhos da esperança, de Alfonso Cuarón) e da literatura (O processo, de Franz Kafka) para tratar de elementos sociais gritantes ligados a saúde mental, na burocratização da vida, com impactos onipresentes em toda sociedade. Sua carreira como professor rende, inclusive, análises pontuais ao modo operante da educação contemporânea e como a mesma foi cooptada pela ideologia de mercado liberal.

Para além de Realismo Capitalista, a obra é composta de outros ensaios de Fisher, um posfácio de Victor Marques e Rodrigo Gonsalves que contribuem ainda mais para compreender onde estamos e para aonde devemos ir, pois oferece alternativas a realidade opressora em que estamos. O livro é um autêntico manifesto em prol da esperança, que deve ser alimentada através da luta diária em prol da construção real de um mundo fora do capitalismo e a sua máquina de moer gente.

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