Resenha – Revival
por Thiago
em 01/03/16

Nota:

revival

Existem ainda alguns autores vivos que são lendas e referência no seu estilo e na literatura de uma maneira geral. Stephen King é um deles, um dos grandes mestres do terror. É engraçado ler um novo livro dele, a cada página virada eu esperava me “aterrorizar”, eu queria o susto, mas o bom susto não vem assim, de maneira esperada. O terror em uma narrativa literária não pode ser como nos filmes e dar sinais explícitos de sua chegada, o autor precisa te enganar, criar e nutrir a expectativa, fazer com que tudo pareça natural, para só assim puxar seu pé e fazer desmoronar tudo. Se há um escritor que faz isso melhor que King me indique nos comentários por favor.

Por mais que Revival seja um livro que gerou grandes expectativas e não desapontou, está longe de ser uma obra prima do autor. Os fãs do gênero se deliciarão com as diversas referências que pipocam aos olhares atentos. Há aqui diversas homenagens a autores clássicos como Mary Shelley, Bram Stoker, Lovecraft, Arthur Machen e vários outros. Além disso há diversas referências ao próprio universo de King. Podemos dizer que esta obra é um olhar pra dentro de si, em relação as suas obras e a vida pessoal. Para não dar spoiller digo apenas para ficar atento aos nomes das bandas que aparecem no livro, entre outras coisas.

Vamos a um breve sinopse?

“Em uma cidadezinha na Nova Inglaterra, mais de meio século atrás, uma sombra recai sobre um menino que brinca com seus soldadinhos de plástico no quintal. Jamie Morton olha para o alto e vê a figura impressionante do novo pastor. O reverendo Charles Jacobs, junto com a bela esposa e o filho, chegam para reacender a fé local. Homens e meninos, mulheres e garotas, todos ficam encantados pela família perfeita e os sermões contagiantes.

Jamie e o reverendo passam a compartilhar um elo ainda mais forte, baseado em uma obsessão secreta. Até que uma desgraça atinge Jacobs e o faz ser banido da cidade.

Décadas depois, Jamie carrega seus próprios demônios. Integrante de uma banda que vive na estrada, ele leva uma vida nômade no mais puro estilo sexo, drogas e rock and roll, fugindo da própria tragédia familiar. Agora, com trinta e poucos anos, viciado em heroína, perdido, desesperado, Jamie reencontra  o antigo pastor. O elo que os unia se transforma em um pacto que assustaria até o diabo, com sérias consequências para os dois, e Jamie percebe que “reviver” pode adquirir vários significados.” Fonte

A Suma Editora que faz parte da Objetiva, adquirida ano passado pela nossa parceira Companhia das Letras fez um trabalho incrível nesta edição: além da capa muito bonita e fiel a edição americana com detalhe metálico que faz um efeito bem legal, resolveu manter o título original sem traduções, creio eu para evitar spoilers.

Antes de ir queria deixar mais duas ideias sobre o livro. A primeira é sobre o autor: caso você tenha vontade de ser escritor ou já é e não é leitor de Stephen King, pare tudo e comece a ler agora, mesmo que terror não seja a sua praia, as histórias deste mito da literatura que te dão ótimos exemplos sobre como concatenar ideias e fazer a narrativa soar verossímil, mesmo nos momentos em que uma “fé cênica” é exigida do leitor. O outro ponto é a forma fantástica de como é apresentada no livro a discussão entre religião e ciência, bem estruturada, profunda e crível mesmo para o leitor mais carola de todos.

Quero justificar minha nota: dou 3 estrelas não porque o livro não é bom, mas comparado a outros livros do autor fico com essa nota. Não vejo falhas ou algo que desmereça, mas estou dando minhas doses de café em relação a obra de king.

Boa leitura a todos!!

king

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O livro foi enviado pela editora.

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